Uma ponte que se destacasse da paisagem e se tornasse um referencial urbano. Essa foi a idéia por trás do convite feito pela prefeitura do município de Rio das Ostras, Rio de Janeiro, ao arquiteto carioca João Pedro Backheuser do escritório Blac - Backheuser e Leonédio Arquitetura e Cidade. A reação inicial foi de grande surpresa. "Não é sempre que arquitetos são convidados para projetos de obras-de-arte", explica Backheuser.
A antiga ponte sobre o Rio das Ostras não atendia à nova demanda de transporte. Suas duas pistas de rolamento em apenas um sentido e as calçadas com 50 cm de largura eram, de fato, insuficientes. A nova ponte teve que ser formatada para atender ao crescente fluxo de veículos e permitir a travessia segura de pedestres e ciclistas, além de estabelecer-se como referência urbana para a cidade. "As poucas referências de Rio das Ostras são naturais", diz Backheuser. A ponte se insere no projeto global de reurbanização da Rodovia Amaral Peixoto, que prevê o redesenho viário, com duplicação das pistas, de calçadas, praças e implantação de ciclovia.
Tendo como premissa básica a necessidade de se tornar um marco, o arquiteto definiu uma grande estrutura vertical formada pela força plástica de dois mastros de concreto de 35 m de altura que apontam como setas para o céu. Dos mastros partem os estais de sustentação do tabuleiro.
Toda a força da forma, no entanto, advém de análises bem racionais: a necessidade de ancoragem de linhas de estais em ambos os lados dos mastros. No lado de maior comprimento chegam duas linhas de estais que contrabalançam com a linha de cinco estais de cerca de 50 cm de diâmetro cada, do outro lado. "Por serem inclinados, os estais dispensaram a necessidade de um acabamento horizontal no topo do mastro", explica Backheuser.
Os estais foram inseridos em insertes de tubos de aço galvanizados embutidos no concreto, onde, ao todo, foram empregados 42 mil m de cabos de protensão de 15,7 mm, protegidos por tubos de polietileno de alta densidade e por tubos-fôrma de aço galvanizado.
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