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Brasil

BLAC ARQUITETURA E CIDADE
REFERÊNCIA ESTAIADA
MAIS DO QUE RECEBER O INTENSO FLUXO DE VEÍCULOS, NOVA PONTE SOBRE O RIO DAS OSTRAS CELEBRA A ARQUITETURA COMO MARCO URBANO

POR SIMONE SAYEGH FOTOS MARIO GRISOLLI



A forma mais alargada do topo dos mastros também pode ser explicada por questões técnicas. Os esforços de recebimento dos estais foram muito grandes, o que exigiu um maior volume de concreto no alto dos elementos. Já perto do tabuleiro, o esforço é mais concentrado e vertical, o que permitiu um dimensionamento mais delgado, com um menor volume de concreto. A partir dessas necessidades, e após diversos estudos na busca das melhores proporções e escalas, a equipe de projeto chegou à forma final do mastro. "Ficou interessante, pois inverte um pouco a idéia pré-concebida de que a base deve ser sempre mais robusta do que o topo", avalia Backheuser.

A ponte estaiada é formada por uma estrutura mista, na qual os mastros de concreto encontram um tabuleiro com vigas longitudinais metálicas e laje em concreto. O comprimento total do tabuleiro é de 66 m e compreende quatro pistas de rolamento e calçadas em ambos os lados, com uma largura total de 22 m. Cada mastro está disposto sobre fundações do tipo estaca raiz, de 41cm de diâmetro e comprimento médio de 24 m cada.

FERRAGENS ARMADAS NO SOLO

De acordo com Gustavo Maschietto, engenheiro responsável pela execução da obra-de-arte em Rio das Ostras, um dos grandes desafios do projeto foi construir uma nova ponte mantendo-se a antiga em funcionamento. Por situar-se em zona urbana e de comércio, a rodovia Amaral Peixoto tem tráfego contínuo e ininterrupto de aproximadamente 40 mil veículos por dia, além do intenso trânsito de ciclistas e pedestres.

Assim a obra foi dividida em duas etapas, com a execução de duas pistas em cada uma. Dessa forma, o tráfego pôde ser desviado para as duas primeiras pistas concluídas antes do início dos trabalhos da segunda etapa, em que mais duas pistas foram construídas exatamente sobre a ponte antiga.

Para atender à condição provisória de suporte da ponte sem a ancoragem dos cabos, foram executados blocos de apoio do tabuleiro com estacas pré-moldadas. Pronta a segunda metade, fez-se o estaiamento, demolição dos apoios provisórios e da antiga ponte. Durante a demolição, um cimbramento de proteção evitou a queda de destroços dentro da calha do rio.

Para sustentar os blocos definitivos, foram executadas, no local, fundações do tipo estacas-raiz com argamassa e ferragens, enquanto os blocos provisórios do tabuleiro foram embasados por estacas pré-moldadas. Em seguida, sobre os blocos finalizados, foram lançadas as vigas longitudinais e montada a laje pré-fabricada do tabuleiro, que serviu de fôrma para a base de concreto. O pavimento recebe, então, uma camada de concreto betuminoso usinado a quente, espalhada e alisada com equipamento de rolo liso.

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