aU UMA DAS CARACTERÍSTICAS FORTES DESSE PROJETO É PERMITIR AMPLIAÇÕES, OU SEJA, É UMA OBRA ABERTA. COMO OS ESPAÇOS PODEM SER AMPLIADOS?
ZANETTINI O projeto dos espaços do Cenpes vai duplicar para receber 4.500 cientistas. Um centro de pesquisa está sempre renovando, então precisa de flexibilidade para alterações e ampliações. Vão trabalhar mil pessoas só para transformação contínua das instalações e sistemas. A racionalidade é muito grande, o espaço pode ter infinitas formas, mas a peça que o compõe deve ser padronizada. De novo, é uma visão sistêmica. Essa visão holística exige formação densa e uma indústria forte. O material é apenas um meio para se fazer arquitetura com enorme correção.
aU O SENHOR É PROFESSOR HÁ QUASE 50 ANOS E PRESENCIOU MUITAS MUDANÇAS NA EDUCAÇÃO NO BRASIL. COMO AVALIA O ENSINO ATUAL?
ZANETTINI O Brasil só vai se transformar quando houver um investimento pesado em educação. Mas não apenas alfabetizar as pessoas: educá-las para terem condições de exercer sua cidadania. Para assumirem uma posição crítica perante a sociedade e negar o que não lhes servir. Aqui nós temos quase 70% de uma ignorância programada pela mídia e que elege a ignorância e a corrupção. É mais que a sustentabilidade da construção: é a insustentabilidade do País! Mas por que a juventude, que deveria ser transformadora, não entende isso?
aU E O ENSINO DE ARQUITETURA?
ZANETTINI A partir da década de 70 foram formadas mais de duzentas escolas de arquitetura, mas não há curso de tecnologia nesses currículos. Os alunos têm que vir ao meu escritório para estudar meus projetos em estrutura metálica. Isso em um País que é uma montanha de ferro e tem a maior exportadora de minério. Na Europa a formação é dupla, o arquiteto sabe engenharia. Estamos conseguindo isso na FAU (FAUUSP), onde o arquiteto já pode freqüentar a Poli (Escola Politécnica da USP) e vice-versa.
aU E AINDA EXISTE O PROBLEMA DO CLIENTE MAL INFORMADO...
ZANETTINI O problema é cultural. Se o cliente está informado por uma mídia pesada de que a casa que dá status é neoclássica, é isso o que ele vai querer comprar. Se o cliente pedir uma coluna grega a um jovem arquiteto com péssima formação, com certeza ele vai fazer. Mas também não se pode culpar só quem se forma em faculdades expedidoras de diploma. O setor imobiliário é hábil para explorar isso. Deve-se saber separar a oportunidade do oportunismo imobiliário, que já avançou na questão da sustentabilidade. O mercado faz a propaganda de um prédio todo envidraçado, mas diz que é ecológico porque está voltado para um parque. Isso depois de pintarem o prédio todo de preto, princípio do receptor solar, e instalarem o ar-condicionado para funcionar o ano inteiro! É demais! Somente com coragem o arquiteto pode mudar esse estado de coisas e inserir-se, finalmente, como cidadão e profissional do século 21.
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| Siegbert Zanettini, considerado a maior autoridade em aço da arquitetura brasileira, defende uma abordagem ecossistêmica do projeto: "a obra deve ser bela, duradoura, resolver o problema de quem vai usufruir dela, identificar-se com sua forma de produção, não gerar desperdício e não ferir o meio ambiente", diz. Acima, imagens do projeto do Centro de Pesquisas da Petrobras, no Rio, em que o arquiteto aplicou todos esses conceitosPÁGINAS :: << Anterior | 1 | 2 | 3 | 4 |
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