EM CONVERSAS SOBRE EDUCAÇÃO, RUBEM ALVES DIZ, "NOSSAS CONCHAS SE CHAMAM CASAS... PENSEI ENTÃO NUMA ESCOLA QUE FOSSE UMA CASA, UMA CASA COMUM, DESSAS ONDE OS ALUNOS MORAM, PARECIDA COM O ESPAÇO DE SUA VIDA REAL... LI UMA ENTREVISTA DO AMYR KLINK EM QUE, PERGUNTADO SOBRE A EDUCAÇÃO DOS FILHOS, DISSE QUE GOSTARIA QUE SEUS FILHOS APRENDESSEM COMO APRENDEM AS CRIANÇAS NUMA ILHA, SE NÃO ME ENGANO, NA COSTA DA NORUEGA: APRENDEM AS COISAS QUE DEVEM SER APRENDIDAS, PARA NÃO SEREM NUNCA ESQUECIDAS, CONSTRUINDO UMA CASA VIKING. ASSIM, ESTAMOS DE ACORDO..."
O comportamento instintivo dos primeiros seres humanos de se proteger das intempéries e predadores, encontrar abrigo para descansar e renovar as forças foi o que provavelmente originou a criação do que hoje denominamos por habitações ou moradias. O morar, hábito humano imemorial, encontra sua definição nos dicionários como o ato de permanecer ou de tardar em um lugar, sendo talvez a manifestação arquitetônica mais antiga e extensiva de que se tem notícia, bem como o artifício que possivelmente nos permitiu sobreviver frente aos desafios do meio, quando outros animais maiores em tamanho e capacidade física sucumbiram.
Em verdade, o ato de abrigar-se aparenta ser uma necessidade biológica e à qual mesmo as espécies ditas irracionais apresentam reações construtivas e peculiares, as quais podem ter inspirado as moradias humanas. Darwin observou que alguns tipos de macacos de distantes ilhas ao leste e chipanzés na África construíam plataformas nas árvores para dormir.
Curiosamente, gravuras do século 17 insinuam habitações indígenas na América do Norte semelhantes a essa descrição, e mesmo nos dias atuais, da Índia ao Caribe, do Alasca ao Oriente, não raro surgem diversos e inusitados exemplares de moradias apoiados e abrigados nessas estruturas naturais.
É notório o fato de que as habitações humanas primitivas ainda sejam pouco presentes no âmbito da teoria e da história da arquitetura, comparativamente com outras temáticas, como templos, palácios, pavilhões, museus e outros. Diversos pesquisadores, entretanto, apontam a importância de ampliarmos o olhar para além do circuito de uma arquitetura "oficial" ou "erudita", incluindo em nossos estudos a observação de todo o conjunto de realizações humanas produzido por um saber coletivo e transmitido culturalmente, no qual as moradias constituem um inesgotável campo de investigação e aprendizado.
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