Estava pensando em um novo slogan para lançamentos imobiliários: Edifício Inteligente Sustentável - se possível ecológico e isento de CFC. Se não for suficiente, pode-se pintá-lo de verde e chamá-lo de Green Building.
Acho que cada década tem uma moda para vendas. Os edifícios realmente inteligentes foram uma inovação. Os sustentáveis certamente também. Com essa história da sustentabilidade estamos diante de uma grande novidade, criada por um povo que viveu há algum tempo e que inventou um sistema de transporte de água chamado aquedutos. De lá para cá, conta a lenda, as cidades foram crescendo, surgiu a civilização industrial, foram fabricando mais gente até a sustentabilidade se tornar insustentável. Bla-bla-bla. A essa discussão falta substância, esqueceram do principal.
Em um filme muito anterior ao cult Blade Runner, que tinha por título Soylent green (no Brasil: No ano de 2020!), uma companhia que mandava no mundo produzia umas cápsulas verdes que eram a única forma de alimentação e o grande segredo é que soylent (vem de soy, soja em inglês) era feita de gente morta!
As cidades eram absolutamente apinhadas, todos viviam em cortiços inimagináveis, parecidos assim com a Índia ou com as nossas favelas. Uma fruta era como uma pedra preciosa... Era assim que em 1970 imaginavam o mundo em 2020.
O progresso fez com que chegássemos muito antes a essa situação. Mas o grande, o imenso erro - ou até pior do que erro: trapaça -, é culpar a civilização industrial por essa situação. Os que dizem que nunca a poluição por veículos foi tão grande, nem sonham com o horror que eram as ruas das cidades com o esgoto correndo solto e as ruas cobertas de cocô de cavalos séculos atrás.
A civilização industrial, no caso dirigida por sociedades evoluídas e preparadas, só trouxe avanço urbanístico, social, cultural, humano e econômico às cidades. Vide Finlândia, Suécia, Noruega, Dinamarca, Islândia, Cingapura e vai atingir a Irlanda, a Austrália, o Canadá e a Nova Zelândia.
Em relação ao resto do mundo, a Europa Ocidental e os Estados Unidos têm recursos para consertar o que estragaram. O restante da Europa se ajeita um pouco. A Ásia precisa parar de fabricar gente, a América Latrina tem de tentar tirar o R do seu nome e a África devia esquecer as fronteiras e voltar às tribos, que na verdade é como eles se organizam e, nas condições atuais e futuras, é a melhor forma de vida e de conservação desse continente. Quanto à Antártica, espero que a deixem em paz.
Parece-me que há um erro de enfoque na questão sustentabilidade e que a torna um modismo. Sinto que todas as providências, decisões, regulamentos e mesmo a mentalidade para tornar os ambientes em que vivemos sustentáveis (e aí as profissões de arquiteto e engenheiro são certamente as mais importantes) têm conseqüências mínimas relativamente a uma questão muito maior que é a fome de energia no mundo.
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