Na ânsia de economizar energia de todas as formas, o globo se esquece de que a obtenção de fontes mais limpas oferece muito mais resultados. Como é uma minoria que vê as coisas dessa forma, é bem possível que estejamos errados. Mas paciência, eu vejo assim.
Todas as soluções para a sustentabilidade em edifícios e cidades, todas as campanhas e a consciência ambiental são indispensáveis. Contudo, são uma gota d'água quando comparadas com o problema de "como conseguir a maior quantidade de energia possível, com o menor dano ao meio ambiente". Caso isso não seja obtido, não há geladeira, fogão, casa, edifício, rua, cidade "sustentável" que resista.
O Brasil é o maior reciclador de alumínio do globo. Não porque haja tanta consciência ecológica, mas porque a pobreza inventou a profissão de catador de lata, e como 50% do preço de produção de alumínio é eletricidade, está explicada essa especialidade de profissão. Ao ver o filme do Al Bore (Al Chato), Uma verdade inconveniente (True lies), fico realmente preocupado em saber como vou conseguir gasolina para o meu carro daqui a 500 anos.
E há ainda a natureza para complicar. Parece incrível, mas a natureza também agride o meio ambiente. O metano produzido pelas vacas é muito mais agressivo e liberado em quantidade muito maior que o maior vilão conhecido, o dióxido de carbono! Infelizmente, todo esse poder calorífico do metano vai para o espaço: a menos dos bifes de chorizo, não dá para transformar pum de vaca em quilowatts. Enrico Mattei, o grande engenheiro italiano, colocou a Itália no primeiro mundo ao utilizar a energia do metano em poços julgados imprestáveis para a retirada de petróleo. E foi devidamente assassinado pela máfia e pelas companhias de petróleo.
Dessa forma, não existem formas "alternativas" de energia, como não existem diferentes formas de democracia. Democracia pode não prestar, mas é uma só.
Ao longo dos séculos, o mundo cometeu crimes terríveis contra a natureza porque não existia conceito de consciência ambiental, muito menos a noção de que o progresso é possível sem atingir demasiadamente o meio ambiente. Já querer desenvolvimento, indispensável para a melhoria das terríveis condições de vida dos países pobres, sem atingir ou alterar o meio ambiente é poesia. É enganação. É só assunto de mídia para o pessoal do Greenwar e seus fotogênicos barcos.
E nosso País, com a sua costa imensa, não utiliza seus barcos e a baratíssima navegação de cabotagem para transporte de carga porque não tem portos dignos desse nome. Sem contar a falta de hábito.
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