O Brasil já cometeu os erros ambientais, os Chernobyls a que tínhamos direito. Por exemplo:
1) A estrada Rio-Santos, aterrando e destruindo praias e baias que eram a própria razão de ser da estrada;
2) Para completar o estrago, a localização (não a necessidade) das usinas nucleares de Angra, um prodígio de visão turística;
3) A usina hidrelétrica de Balbina, na Amazônia, a de menor produção de energia do mundo em proporção à área inundada;
4) A altura da usina de Itaipu (o erro é a altura, não a usina). Com uma altura um pouco menor, em troca do não aproveitamento máximo do potencial energético, teriam sido preservadas as Sete Quedas (na verdade eram 14) do rio Paraná, na época o maior volume de água caindo do mundo. Entre as razões militares para a altura da barragem estava a absurda idéia de milico de comprometer politicamente o Paraguai, pois o lago poderia ter sido feito só do lado brasileiro.
O erro cometido no projeto de Balbina surge agora como pretexto ambientalista para impedir dois projetos absolutamente corretos e imprescindíveis: as usinas do rio Madeira. Cada forma de obtenção de energia tem as suas conseqüências ambientais e cada país estuda quais as suas possibilidades e conseqüências. O Brasil, por seu imenso território, sem terremotos, furaquinhos ou vulquinhos, e com sua variedade de condições climáticas e geológicas pode obter energia das mais variadas formas, mas todas têm alguma conseqüência:
1) A nossa tradicional, a hidrelétrica, inunda grandes áreas;
2) O álcool de cana ou milho transforma áreas agrícolas em monocultura;
3) As usinas nucleares seriam perfeitas se não dessem problemas e se encontrassem depósitos adequados para seu lixo;
4) O petróleo é bom para os árabes e para Chávez e vai acabar;
5) Os painéis solares exigem um número imenso quando se necessita energia para fins não-residenciais;
6) As termelétricas, alternativas de emergência escolhidas pelo brilhante grupo que nos governa (enrolaram anos para decidir) são as maiores poluidoras de todas;
7) O gás natural é uma excelente solução, desde que não dependamos de produtores de coca;
8) As usinas que utilizam as marés são perfeitas ecologicamente, mas exigem regiões em que o movimento das marés seja enorme;
9) O metano obtido do lixo não tem uma eficiência energética tão grande (seria necessário um Himalaya de lixo), embora seja uma excelente solução ecológica;
10) Por fim, enquanto não surgirem outras, há a energia eólica dos imensos, lindos e silenciosos cataventos. Fomos consultados para as instalações de infra-estrutura da usina de Osório, no Rio Grande do Sul. A brilhante solução ecológica, tranqüila, não poluidora, silenciosa exigiu 25 km de estradas de manutenção!
Em resumo, em produção de energia, se correr o bicho pega, se não correr o bicho pega também. Infelizmente - ou felizmente - a nossa atividade como arquitetos provoca um dispêndio enorme de energia na construção, na obtenção e transporte de materiais e na utilização das construções. Não é tão danosa como a pesca ou a mineração, mas é barra pesada.
O que podemos fazer é atenuar esses impactos, com os critérios de sustentabilidade. Mas nunca escaparemos de atingir, influir, modificar o meio ambiente e o ambiente inteiro. Rousseau que nos perdoe.
O máximo que podemos fazer é debater, discutir e propor soluções paliativas, com o maior empenho e seriedade possível. Mesmo porque, em termos de ecologia, ou a gente discute e se Raoni, ou a gente Sting.
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