Em artigo nesta edição de AU, o colunista Sergio Teperman escreve que "ao longo dos séculos, o mundo cometeu crimes terríveis contra a natureza porque não existia conceito de consciência ambiental" e muito menos "a noção de que o progresso é possível sem atingir demasiadamente o meio ambiente". Com o aquecimento global e a conseqüente mudança do clima já em curso, a humanidade percebeu que precisará adotar medidas para minimizar sua marca no planeta. Segundo artigo publicado no jornal britânico The Independent, um cidadão norte-americano lança 20 toneladas de dióxido de carbono – a principal causa do aquecimento global – em média por ano na atmosfera. Um australiano lança 18 toneladas, enquanto um sueco, cujo padrão de vida é similar ao dos norte-americanos, consegue emitir "apenas" seis toneladas. No Terceiro Mundo, a situação é bastante diversa. Um chinês comum lança anualmente três toneladas de CO2 na atmosfera e um indiano, duas toneladas. Já um habitante do Chad, na África, emite 1/100 de tonelada de CO2 por ano. A despeito de possuir uma matriz energética mais limpa do que muitos países e programas elogiados internacionalmente, como o do etanol, o Brasil não é um exemplo a ser seguido. O secretário-geral da Organização das Nações Unidas, Ban Ki-moon, recentemente estendeu o apelo para a redução das emissões também ao País e à Índia. O triste, no caso brasileiro, é que boa parte dos bilhões de toneladas do gás que lançamos na atmosfera todo ano resulta de queimadas na Amazônia. Ou seja, poderiam ser evitadas sem nenhum prejuízo energético. É fato que, para se desenvolver, o Terceiro Mundo vai precisar de muita energia e, pelo menos por enquanto, não se encontrou alternativas de baixo impacto ambiental em larga escala. Daí a necessidade de todos contribuírem com ações efetivas para garantir a melhoria de vida nas regiões mais pobres e a viabilidade das futuras gerações. Disposta a abrir cada vez mais espaço para esse debate, AU começa a publicar, a partir deste número, a nova seção Sustentabilidade, que vai mostrar em detalhe soluções e recursos criados e implantados por arquitetos do Brasil e do Exterior para reduzir o impacto de suas obras. As páginas são inauguradas com o projeto do escritório Gesto Arquitetura, de Tânia Parma e Newton Massafumi, para a Universidade do Meio Ambiente, em Nazaré Paulista, SP.
