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INTERNACIONAL
VAZIOS URBANOS
As cidades são o tema da primeira trienal de arquitetura de Lisboa. Brasil fica fora da exposição por falta de apoio institucional

por Haifa Y. Sabbag




A grande preocupação do mundo atual leva à indagação: a cidade, como lugar de permanência e memória, pode resistir aos crescentes fluxos migratórios com suas diversidades culturais e sociais? Inaugurada em 31 de maio no belíssimo edifício do Pavilhão de Portugal, projetado por Álvaro Siza Vieira para a Expo 98, a 1 a Trienal Internacional de Lisboa teve como tema Vazios Urbanos , uma feliz proposição para o debate e reflexão sobre a cidade contemporânea e seus espaços degradados. Bastante oportuna, a Trienal portuguesa, encerrada em 31 de julho, pela sua temática e pela importância que a arquitetura do país ganhou internacionalmente, aliadas ao fato de Portugal presidir o Conselho da União Européia a partir do segundo semestre deste ano.

Num rápido relato pode-se concluir que as exposições, muito bem montadas com apoio de vídeos e outros recursos visuais, criaram uma expectativa logo frustrada em razão dos imensos espaços vazios ou pouco ocupados. Esses vazios não foram intencionais. A direção da Trienal delegou a concepção das exposições aos seus autores e precisou até reduzir o número de países escolhidos pela limitação da área. Mas houve ausências. O critério da seleção visou países com desempenho paradigmático e países emergentes cuja política aponta para a periferia, projetando novos desempenhos, assim como países cuja arquitetura exerce forte influência em Portugal.

Ausência brasileira

Por que o Brasil não compareceu? De acordo com Luis Tavares Pereira, membro da organização do evento, o Brasil foi um dos países convidados a participar "pela proximidade da língua e da cultura, pela mútua admiração da produção arquitetônica, com momentos de cumplicidade arquitetônica, como o projeto de Álvaro Siza em Porto Alegre, e a crescente popularidade de Mendes da Rocha".

Os convites foram feitos diretamente a um comissário em cada país, inclusive consulta a alguns arquitetos com trabalho reconhecido mundialmente. No Brasil, a escolha recaiu em Abílio Guerra que apresentou uma proposta preliminar de curadoria bastante apreciada. Explica Luis Tavares que, devido ao curto período de um ano para preparação da mostra, não foi possível obter apoio institucional obrigando, lamentavelmente, o cancelamento do projeto. Mas Abílio Guerra, assim como o arquiteto Fernando Mello Franco, foi convidado para dar duas palestras. O primeiro sobre Lucio Costa, Modernidade e Tradição, e Casa Moderna em São Paulo. O segundo sobre Villanova Artigas e o escritório MMBB.

A primeira impressão da exposição sugeria, em grande parte, uma intenção mais provocativa do que informativa, e isso se confirmava durante o percurso pelas apresentações. O espaço ocupado pelo Japão, por exemplo, era composto de pequenos suportes verticais onde estavam embutidas miniaturas de maquetes e fotos que se contrapunham às instalações fotográficas da cidade de Tóquio, para a qual o arquiteto Naoyosji Hirosaka propôs a construção de um enorme museu no "vazio urbano" situado no coração da cidade. Uma permissão nada poética ao caracterizar o intocável Palácio Imperial como "o maior vazio urbano de Tóquio", definição emprestada do filósofo francês Roland Barthes. Já o urbanista Yassuhiro Minami explorou a possibilidade de implantar múltiplos centros, desestruturando a cidade tradicional.

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