Manifestos e metáforas
Metáforas e manifestos surgiam inesperadamente. Da França, a exposição Sobreposições lembrava conceitualmente a proposta de Le Corbusier para o Rio de Janeiro, projetando imensos viadutos atravessando a cidade. As colagens verticais dispunham construções sobre as homogêneas mansardas parisienses e a inscrição "o que pode haver de mais excitante do que fugir do amontoado urbano para emergir nos telhados? Quantos terrenos perdidos". A explicação: os projetos mostram que a arquitetura tem mais a ver com liberdade, generosidade e criatividade do que com doutrina, seriedade ou coerência. Deve ser arrojada, engenhosa, impertinente até. Provocadora. E a conclusão: "o pretenso caos dos nossos dias não é mais do que, segundo parece, conseqüência da democracia".
Até Portugal suscitou provocação ao fazer uma enquete para uma petição formal ao governo. "Que edifício da cidade de Lisboa gostarias de ver demolido?". Para estimular a reflexão sobre o futuro - que pode estar mais próximo do que imaginamos -, o Chile exibe a visão de um desolado panorama de uma estação polar, Teniente Arturo Parodi, com o título Vazio Deslocado: Urbe Antártica .
Portugal brilhou em todos os sentidos. A começar pelo prédio do Pavilhão, construído em 1998 sobre uma antiga doca do Rio Tejo como parte de área recuperada para o Parque das Nações, que apóia a inquietante cobertura de concreto sobre a praça anexa. Nele, a exposição Europa - Arquitetura portuguesa em emissão , procurou fazer um balanço da produção local, tendo em vista sua inserção no continente. Por meio de emissões televisivas, dentro do segmento Eurovisão, foram selecionadas obras edificadas entre as décadas de 1950 e 1980. A internacionalização da arquitetura portuguesa e a sua afirmação em nível nacional, mostrada por 15 obras recentes como o Centro Cultural de Belém, a Casa da Música, eventos da Expo 98 e da Euro-2004, constituíam parte do setor Euronews.
Geração 50
Ao encerrar o circuito expositivo desse pavilhão, a mostra Nascidos nos anos 50 tinha como finalidade abordar as diferenças, as realidades culturais de cinco arquitetos europeus: os portugueses Souto de Moura e João Carrilho da Graça; Zaha Hadid, anglo-iraquiana; DillerScofidio + Renfro, dos Estados Unidos e Marsilla + Turon, da Espanha. A escolha, segundo o curador José Mateus, além da faixa etária comum, revelaria a intensidade dos trabalhos desses arquitetos e a surpresa de abordagem que cada um deles traz. Explica José Mateus que, apesar de percorrer caminhos antagônicos, eles serão sempre, em um certo nível, "diálogos com Álvaro Siza".
Portugal procurou manter, em diferentes situações das amplas apresentações, sua poética em textos bem-elaborados. A começar pela foto do cartaz da entrada que continha o primeiro verso do poema imortal de Fernando Pessoa, O Tejo é mais belo que o rio que corre em minha aldeia .
AU Leituras
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