Os arquitetos Newton Massafumi e Tânia Regina Parma colocam em uma frase o espírito com o qual projetaram a residência Pouso Alto, na praia de Barra do Una, litoral Norte de São Paulo: "as casas devem ser como pássaros pousados na Mata Atlântica". Além da natureza, a arquitetura indígena serviu de inspiração para o projeto, que combina estrutura metálica, de madeira e de concreto, em uma edificação totalmente suspensa do solo, desenvolvida de acordo com princípios da arquitetura sustentável.
A arquitetura "mimética", dissimulada na paisagem natural, interfere o mínimo possível na floresta e se funde visualmente com o entorno. "Nela, o homem interage com a natureza apenas como observador", explicam os arquitetos que, além de elevar a casa, optaram por cercá-la com vidro. A transparência também está presente na cobertura e no piso da circulação, permitindo uma visualização plena da mata.
Tânia Regina Parma e Newton Massafumi são sócios do Gesto Arquitetura, escritório comprometido na produção de edifícios ecológicos. Um bom exemplo é a Universidade do Meio Ambiente, no município de Nazaré Paulista, na qual foram aplicados conceitos como o uso de materiais recicláveis, fontes de energia alternativa, reutilização de água e reciclagem de lixo. Já na residência Pouso Alto, todo esgoto doméstico é tratado por um filtro biológico septo difusor, no qual bactérias anaeróbias e biológicas decompõem a matéria orgânica por completo. Livre de impurezas, a água é depositada no solo por valas drenantes subterrâneas, compostas de areia e brita.
Os arquitetos contam que, inicialmente, a casa havia sido projetada em estrutura de madeira, opção que acabou sendo descartada devido à falta de material certificado na época. "Trocamos a madeira pelo aço corten", diz Massafumi. A residência segue a mesma tipologia arquitetônica do Ecoresort Leebambou, hotel destinado ao turismo ecológico localizado nas proximidades e também projetado pela dupla. "Assim como o hotel, a casa é formada por volumes elevados do solo e interligados por passarelas", explica Massafumi.
O volume arquitetônico envidraçado, ortogonal e contemporâneo é envolvido por uma cobertura de piaçava curva que remete a um tipo específico de habitação indígena. Uma abertura no topo permite a entrada de luz até uma "ilha" de vegetação nativa implantada no miolo da construção, e se difunde por painéis de vidro da cobertura e das vedações laterais para o interior da casa. Já o vão formado entre a "caixa de vidro" e a cobertura de piaçava possibilita a circulação de ar que garante o conforto térmico da residência.
PÁGINAS :: 1 | 2 | Próxima >>