Ao iniciar o projeto do edifício na rua Santa Adelaide, em São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo, os arquitetos Apoena Amaral, Carlos Ferrata, Eduardo Ferroni, Kátia Melani, Moracy Amaral e Pablo Hereñú tinham alguns desafios pela frente. Um lote exíguo, de 12 m x 36 m, deveria comportar um programa extenso, que incluía três apartamentos, áreas de lazer comuns, nove vagas de garagem e, no térreo, uma sala comercial dotada de acesso independente e boa visibilidade para quem passa pela rua.
Para complicar, o próprio escritório de arquitetura estava instalado em uma edificação que ocupava parte do lote – e tinha de ser mantido em funcionamento durante todo o processo de construção. Havia ainda o fato de todos os arquitetos envolvidos serem recém-formados e, portanto, acumularem pouca experiência na execução de projetos.
A solução encontrada para superar todos esses obstáculos rendeu aos arquitetos o primeiro lugar no Prêmio Jovens Arquitetos 2007, na categoria Obras Executadas, conferido pelo IAB-SP. O partido culminou em uma construção que não é apelativa pela imagem, na avaliação dos próprios autores. A qualidade, segundo eles, está muito mais atrelada à experiência de uso do espaço do que a qualquer tentativa de realizar um prodígio arquitetônico. Atitude louvável ante a produção atual. Tudo isso a partir de soluções simples e materiais convencionais.
Ao propor distribuir os apartamentos em dois edifícios, entretanto, o trabalho mostra a ousadia de seus jovens criadores. De frente para a rua, com a largura exata do lote e aberturas no sentido norte-sul, o primeiro prédio abriga um estacionamento coberto, a sala comercial e os ambientes de estar e de serviços dos apartamentos, além da circulação vertical, feita por um bloco com escadas e elevadores. "Para esse item, foi determinante a legislação municipal permitir a construção do bloco colado nas divisas", comenta o arquiteto Apoena Amaral. Dessa maneira, a sala pôde ter praticamente a mesma largura do lote, sem recuos laterais.
Amplas aberturas com caixilhos de alumínio se estendem de piso a teto e foram pensadas para prover melhor aproveitamento da vista para o vale próximo à rodovia Anchieta. Como essa face se volta para o norte, foram empregadas pestanas de concreto aparente que atuam como quebra-sol e conferem volume à fachada. Com esse desenho e um vão livre de quase 12 m, o living permite que o morador, ao abrir a porta do apartamento, encontre à sua frente a vista da cidade.
O segundo edifício proporcionou ao térreo um pátio coberto junto ao jardim. Nos demais pavimentos esse bloco abriga os dormitórios e banheiros dos apartamentos, bem como um solário com piscina na cobertura. Essa construção é recuada das divisas, permitindo aberturas no sentido leste-oeste. "O fato de o bloco da frente estar colado nas duas divisas e o de trás, não, possibilitou aberturas nos dois sentidos, o que promove uma ventilação mais conveniente", explica o arquiteto Eduardo Ferroni.
PÁGINAS :: 1 | 2 | Próxima >>