Em ambas as torres, erguidas sobre pilotis, a distribuição dos espaços permitiu criar ventilação cruzada e dispor os cômodos de acordo com a melhor orientação. Os três dormitórios de cada apartamento, por exemplo, são voltados para o nascente. Já a lavanderia vira-se para a face sul.
Uma fresta de três metros entre os dois blocos, atravessada apenas por pontes, ajuda a separar os programas, sobretudo o espaço de uso comercial da área de lazer dos moradores. Nos apartamentos, a conexão entre os dois edifícios é feita por passarelas de concreto envidraçadas, que marcam a transição do setor social ao mais privativo. O arquiteto Carlos Ferrata explica que essa circulação dinamiza o espaço e possibilita que se tenha uma vista interessante para uma área arborizada nas laterais do terreno, conferindo um status de passeio ao simples ir e vir de um bloco para o outro.
Conceber uma habitação dividida em dois edifícios era algo que o grupo de arquitetos já havia estudado. Algumas referências conceituais foram importantes nesse sentido.
A principal delas, segundo Ferroni, foi o projeto de habitação coletiva de 1973 do arquiteto suíço Luigi Snozzi em Celerina, Suíça, que propunha a separação das funções em uma mesma construção. Outras influências relevantes foram os edifícios do paulistano Eduardo de Almeida, em especial o Conjunto Residencial Gemini, premiado pelo IAB em 1974, e o Edifício Lagoinha (1959), projetado pelo arquiteto Carlos Millan e construído na zona Sul de São Paulo, organizado em dois blocos em meios-níveis, com quatro pavimentos e oito apartamentos.
"A partir desse repertório, percebemos que desmembrar a edificação era uma solução que se mostrava pertinente às particularidades dessa obra em São Bernardo do Campo", complementa Amaral, lembrando que o trabalho exigia a implantação em duas etapas para não atrapalhar o funcionamento da sala comercial durante todo o decorrer da obra. Assim, primeiro foi executado o edifício localizado nos fundos do terreno. Uma vez concluída essa etapa, o escritório foi transferido para a nova área e, só então, a edificação existente foi demolida e iniciada a construção do prédio da frente.
A concepção de um modelo de edificação de proporções menores e de uso misto era outra tipologia que os jovens arquitetos tinham planos de experimentar. Carlos Ferrata argumenta que o mercado imobiliário estabeleceu uma fórmula para empreendimentos residenciais composta de lotes extensos e torres de grande altura e muitos pavimentos, sempre dissociadas da rua. Na opinião do arquiteto, seria interessante se houvesse também novas possibilidades de ocupação do território com exemplares de edifícios implantados em lotes reduzidos.
No caso do Santa Adelaide, apesar das dimensões do terreno, o projeto buscou prover uma convivência harmoniosa entre os apartamentos residenciais e a área comercial implantada no térreo. Uma espécie de fosso separa a laje do escritório do nível do jardim, mas uma ponte permite que os funcionários do escritório também tenham acesso a essa área verde.

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