Original por fora e turbinado por dentro. A revitalização assinada pelo arquiteto argentino Juan Carlos Di Filippo, desde 1976 no Brasil, transformou o Visconde de Itaboraí em um edifício inteligente sem tocar em sua identidade estética. Construída na década de 1940, quando o Rio de Janeiro ainda era a capital do Brasil, a edificação está inserida em um conjunto de importância histórica, no cruzamento das avenidas Rio Branco e Presidente Vargas. A exemplo da arquitetura da época, o imóvel foi concebido sob forte influência do plano urbanístico Agache, o segundo mais importante do município, traçado pelo arquiteto-urbanista francês Alfred Agache.
"Embasamento com sobreloja em granito marrom, portões de ferro batido; galerias sob uma das fachadas; andares marcados por janelas quadradas com predominância dos cheios sobre os vazios; varandas no penúltimo andar e arremate discreto. São traços típicos da arquitetura protomoderna", explica Di Filippo, um estudioso do racionalismo, que analisou profundamente a região e as tendências do período em que o prédio foi concebido.
Projetado para ser arrendado a um hotel, o imóvel foi encomendado a um autor desconhecido - o arquiteto não encontrou nos arquivos da prefeitura o projeto original do edifício - pelo Banco Industrial Brasileiro, que ocupou por pouco tempo o salão nobre, a sobreloja e o subsolo. Em 1953, o edifício foi vendido para o Banco do Brasil, tendo a sua vocação hoteleira transferida para corporativa. Após um incêndio no fim dos anos 1980, permaneceu fechado por um longo período.
Em 1997, o prédio foi adquirido pela Brasilseguridade que decidiu restaurá-lo. Em 2001, a obra foi terminada. Em 2002 o edifício trocou mais uma vez de mãos. Dessa vez, a primeira metade dos 22 andares foi ocupada pela Transpetro e, a segunda, pela Agência Nacional do Petróleo (ANP).
De acordo com Di Filippo, da edificação original sobraram apenas a estrutura e a alvenaria externa. O restante foi todo modernizado. Conforto ambiental, racionalização das instalações e atualização dos usos foram as principais preocupações de Di Filippo, que já desenvolveu 60 mil m2 de escritórios e conhece bem o cliente. "Para muitos o trabalho é o local de maior permanência. O desafio do arquiteto é promover o bem-estar dessas pessoas."
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