Inteligência predial
O projeto assinado por Di Filippo tornou a circulação entre pavimentos adequada às necessidades atuais. Uma das prumadas do sistema de transporte vertical foi eliminada, resultando em dois blocos independentes com quatro elevadores cada. As cabines foram reformadas e a operação e o monitoramento, renovados. "Agora, os elevadores são inteligentes, parando apenas um em cada andar, conforme a demanda", ressalta o arquiteto. Duas escadas pressurizadas também ligam os pavimentos e servem como fuga em caso de incêndio. Conectadas aos halls de elevadores, atualizam a segurança do edifício e conferem flexibilidade à planta, que ganhou em área.
A restauração planejada pelo arquiteto Juan Carlos Di Filippo contemplou a automação de toda infra-estrutura do edifício Visconde de Itaboraí, visando a redução da superposição de serviços e a economia de energia e de água. Foram instalados conjuntos de procedimentos de controle de segurança patrimonial e humana, a partir de sistemas eletrônicos.
O sistema detecta desde o acontecimento de intrusões, assim como o aumento da temperatura, informando a ocorrência de curtos-circuitos ou de chamas. Regula a intensidade da luz de acordo com a iluminação natural e controla o volume de água que circula na rede hidráulica, revelando rupturas de tubulações ou de válvulas. O sistema ainda monitora a movimentação de pessoas e a temperatura do ar-condicionado. O transporte vertical também é verificado pelo sistema, que realiza a distribuição racional das máquinas.
A evolução dos usos
"Um edifício tem o poder de contar a história de uma cidade, suas relações sociais e seu desenvolvimento econômico", filosofa Di Filippo. Para ele, o arquiteto deve evitar a pasteurização da arquitetura e ficar atento à origem, ao presente e ao futuro da edificação.
O edifício Visconde de Itaboraí, com as diferentes ocupações que acolheu, é um reflexo da evolução do Rio de Janeiro e do Brasil. "No térreo, o salão nobre, que era usado por caixas de banco, será em breve ocupado pela sala de monitoramento de todas as tubulações de gás e óleo da Transpetro", revela. Já nos dois pavimentos superiores do imóvel, tão ilustres quanto o térreo e que abrigaram restaurante e salão de festas no tempo do hotel, o tipo de freqüência foi mantida. O topo do edifício abriga o alto escalão da ANP.
A idéia do teatro independente em três pavimentos, presente no projeto original, foi abandonada ainda na tutela da Brasilseguridade. "O projeto não foi executado e o auditório foi deixado no osso. Com a chegada da Transpetro, o vazio do mezanino foi preenchido por uma laje intermediaria onde fica a sala de reuniões", descreve Di Filippo. E o primeiro andar, que seria um centro cultural, agora abriga o restaurante.

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