O terreno fica no coração do bairro carioca de Botafogo, ainda repleto de sobrados e antigas construções. Mede cerca de 2,5 mil m2, mas é estreito e profundo. A idéia era ocupar o espaço com edifícios de apartamentos. A solução encontrada pela dupla de arquitetos cariocas Eduardo Horta e Andrea Fiorini foi recriar um conceito pouco explorado nos últimos vinte anos: a planta de apartamentos dúplex, que traz a possibilidade do movimento vertical dentro do mesmo espaço privado. "Esse tipo de solução cria um espaço interno semelhante ao de uma casa assobradada", compara Horta, que destaca a sintonia dessa característica com os hábitos do morador do bairro de Botafogo.
Eduardo Horta conta que tudo começou com um estudo de viabilidade encomendado por um corretor imobiliário. O projeto resultante integrou o edifício à paisagem do bairro e respondeu positivamente aos interesses comerciais, visto que apartamentos dúplex garantem maior área de venda ao reduzirem os espaços condominiais de circulação. A construtora RJZ comprou a idéia e produziu dois blocos residenciais com um total de 80 unidades, sendo 42 apartamentos lineares, 27 dúplex e 11 tríplex, dispostos de maneira escalonada e harmônica. Além de oferecer diferentes tipos de apartamento, o projeto proporciona flexibilidade ao programa de cada unidade.
"Nenhum proprietário terá um apartamento igual ao outro", garante Horta. Com tantas possibilidades, a pergunta que surge é óbvia: como os arquitetos conseguiram agregar tipologias e plantas variadas em um mesmo condomínio sem que a construção pareça uma torre de Babel?
A resposta não é simples, mas eficiente. Os blocos foram distribuídos de maneira longitudinal na porção direita do terreno e liberaram espaço para uma rua que percorre todo o comprimento esquerdo e interliga os volumes de maneira a criar um espaço semipúblico. Essa rua serve de acesso a pedestres e automóveis e leva ao hall de entrada de cada edifício, assim como a um estacionamento, ao fundo. O primeiro bloco de apartamentos tem sua fachada principal voltada para a via urbana e foi implantado exatamente à frente do segundo. Parte dessa fachada é protegida por um imenso muro de pedra que se eleva 6 m e alcança um terraço descoberto, protegido por um guarda-corpo de vidro. A partir desse pavimento erguem-se seis andares com sete unidades lineares cada um. Dois apartamentos dúplex, situados no segundo e quarto pavimentos, completam o condomínio.
As unidades voltadas para a via urbana são guarnecidas por uma empena vertical central que percorre toda extensão do volume e separa as varandas das unidades. A distribuição dos apartamentos dúplex na parte central do bloco, com duas varandas cada, equilibrou as massas e garantiu harmonia ortogonal. "O ordenamento das plantas e o controle visual da fachada garantiram a unidade do empreendimento", diz Horta. Todos os tipos de unidades apresentam dois dormitórios, sala e cozinha. A diferença está no tamanho das áreas internas e na distribuição dos espaços. Nas unidades dúplex, sala e cozinha distribuem-se no primeiro andar, enquanto que área íntima, quartos e banheiro, se concentram no segundo andar.
PÁGINAS :: 1 | 2 | Próxima >>