Além da possibilidade do uso coletivo oferecido pela rua lateral, os moradores também possuem uma área de lazer comum situada no primeiro bloco, no pavimento elevado exatamente acima dos halls de entrada. Esse espaço reúne salão de festas com espaço gourmet, copa e cozinha, sala de ginástica, sauna e hidromassagem. O prolongamento dessa área alcança o espaço descoberto entre os dois volumes e se completa com uma grande piscina em L que projeta um dos braços sobre a rua lateral inferior, como uma espécie de ponte. Uma passarela atravessa a piscina e articula a circulação entre os dois edifícios, além de conduzir aos setores de serviços, administração e alojamento para funcionários.
As cargas de ambos os blocos descarregam em pilares destacados a partir do pavimento de uso comum. Essa solução permitiu criar um pequeno espaço semifechado nas áreas externas aos halls e resgatar a rua interna e os espaços de convivência comunitária. Assim como a "ponte de água", esses recursos geram alguma surpresa aos usuários, fruto do desejo dos arquitetos de incomodarem conceitos preestabelecidos. "Queremos mexer com as idéias das pessoas e provocar alguma reação", afirma Horta.
A busca pelo novo está bem explícita no segundo edifício, que apresenta número de pavimentos e tipologias diferentes. Os primeiros quatro andares agregam 22 apartamentos dúplex, 11 deles instalados a cada dois pavimentos. A partir do quinto andar desenvolvem-se oito tríplex e três dúplex centrais, juntos à torre de circulação vertical. No sétimo pavimento, exatamente acima do último andar de dúplex, há mais três unidades tríplex. O terceiro andar dos apartamentos tríplex abriga um terraço descoberto com ofurô protegido por grandes requadros laterais que funcionam como um coroamento da cobertura, e mostram a preocupação dos arquitetos em garantir a unidade da fachada.
Essa preocupação, aliás, é bem visível na solução encontrada para unir as diferentes tipologias em um mesmo pavimento, o que exigiu um apurado senso espacial e resultou em fachadas escalonadas nos andares superiores. Essa característica formal concedeu ao edifício um movimento interessante, que marca o skyline do bairro e desponta em meio a dois cartões postais da cidade: o Corcovado e o Pão de Açúcar. "Do alto dos dois blocos é possível confirmar que a paisagem do Rio de Janeiro continua linda", conclui Eduardo Horta.
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