São exemplos sempre citados, mas o que seriam Ginza, Piccadilly
Circus e Times Square sem os luminosos que compõem painéis
espetaculares?
Recordo-me de dois fatos exemplares de minha experiência com letreiros
e anúncios publicitários. Quando residia em Helsinki, por
conta de um trabalho de sacoleiro feito para o embaixador do Brasil em
Moscou, conseguimos um convite para ir com nosso carro (eu e meu irmão)
de Helsinki a Leningrad e Moscou, algo absolutamente proibido, inclusive
de trem ou avião de linha.
O convite incluía estada em Leningrad (hoje e ontem São
Petersburgo) no imponente e melhor hotel da cidade, na rua principal,
a Nevsky Prospect. Passamos horas durante à tarde indo e voltando
na rua para achar o hotel, porque não havia um mísero cartaz
na porta. Pior ainda foi em Moscou, aonde chegamos à noite e, de
tanto rodar procurando a ulitza (rua) da embaixada onde iríamos
ficar alojados, fomos presos e, graças a Deus, digo a Brezhnev,
a polícia nos levou ao local. A cidade era um breu total e havia
um (1) único anúncio luminoso grande, que Arthur Moreira
Lima (nosso cicerone) traduziu para nós. Dizia... "coma coelho!"
O segundo exemplo é muito claro para quem atravessa a fronteira
da França com a Suíça. Em 50 metros, se passa de
uma rua ou estrada estreita, com cartazes bagunçados, cafés
e restaurantes com menus escritos em quadros-negros, para uma pista impecável,
luminárias de rua com design, cercas-vivas bem aparadas e uma incrível
uniformidade de sinais gráficos, feitos pela melhor gráfica
do mundo e cuidadosamente alinhados, respeitando as fachadas, com letras
naturalmente do tipo.... Helvética. Que chato!
Escrevi há tempo que uma das surpresas desagradáveis (mais
uma) que tive em Brasília foi ver que, com toda a uniformidade
arquitetônica (outra vez, que chato!), não há a mínima
ordenação ou preocupação com as placas dos
locais ou das lojas, em uma bagunça e pobreza visual digna de São
Paulo, mas não de uma cidade arquitetônica como a capital
do País. Um exemplo terrível - e horrível -
são os letreiros com o nome dos Ministérios na esplanada.
Enfim, de que alguma coisa tinha de ser feita em São Paulo, não
há dúvida. E os cartazes foram retirados. Mas nada se faz
contra os pichadores e grafiteiros que emporcalham ainda mais a cidade.
O exemplo correto nesse âmbito é o de Rudolph Giuliani. O
ex-prefeito de New York limpou a cidade de criminosos e para ele não
existia diferença entre os crimes de mau gosto dos pichadores,
e os crimes de bom gosto da "intelligentsia" - os grafittis.
Sujou, limpou, pagou.
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