E não é só isso. Existe na mesma "intelligentsia"
um culto à transgressão. Tudo o que é "transgressor"
é bom e elogiável, o resto é conformismo. É
a glorificação do lixo.
Mais uma questão, e nada simples: como se faz para ver o nome das
lojas, o filme que está passando, identificar uma quadra em uma
cidade tão caótica? Quem esteve no Japão sabe a batalha
para se encontrar uma rua ou uma casa, que não são identificadas.
Teria certamente sido necessário prever e regulamentar de maneira
realista os nossos anúncios, em especial o nome dos estabelecimentos,
e combater de verdade a inacreditável poluição visual
de nossas ruas. Mas também não adianta arrancar tudo e deixar
as nossas horrorosas fachadas à vista. Muito menos tentar explicar
para alguém que a loja tal fica ao lado de onde havia um restaurante
tal, que tem no alto uma estrutura metálica de suporte toda enferrujada.
Na Idade Média, quando todas as mães nasciam (e continuavam)
analfabetas, nas ruas do comércio os estabelecimentos tinham penduradas
na porta-placas de metal identificando o tipo do serviço que executavam.
Há um belíssimo museu em uma igreja em Rouen, o Musée
de La Forgerie, com centenas dessas placas: sapatos, tesouras, remédios,
roupas. Tudo feito de ferro. Diz-se que, naquela época, Salomão,
que exercia a nobre atividade da circuncisão, abriu o seu estabelecimento
e pendurou uma chave para identificá-lo. Seu amigo Isaac o interpelou
imediatamente, "mas seu panaca, se você faz circuncisão,
porque pendurou uma chave na fachada?". Salomão, o sábio
respondeu, "mas você queria que eu pendurasse o quê?".
Atualmente, em matéria de identificação, estamos
assim.
A propósito, a palavra sinônimo de propaganda é
publiCidade.
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