
ERRO DO PILOTO OU FALHA NOs SISTEMAs DO AVIÃO? O QUE CAUSOU O ACIDENTE COM O AIRBUS A-320 DA TAM? PARA MUITOS, ESSA INFORMAÇÃO TEM IMPORTÂNCIA SECUNDÁRIA QUANDO SE SABE QUE A TRAGÉDIA PODERIA TER SIDO EVITADA SE OS LIMITES E AS RESTRIÇÕES NO QUE DIZ RESPEITO À OPERACIONALIDADE DO AEROPORTO DE CONGONHAS NÃO TIVESSEM SIDO NEGLIGENCIADOS. EXISTEM AINDA AQUELES QUE CONDENAM A EXISTÊNCIA DE AEROPORTOS CENTRAIS, MESMO COM A INTENSA PROCURA PELOS SEUS SERVIÇOS. INDEPENDENTEMENTE DA OPINIÃO, HÁ UM CONSENSO DE QUE O RECENTE DESASTRE AÉREO REFLETE A FALTA DE PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO EM RELAÇÃO AO TRANSPORTE AÉREO NO BRASIL. ASSIM, AU PERGUNTA "AEROPORTOS EM ÁREAS URBANAS ADENSADAS DEVEM SER PRESERVADOS, REMODELADOS OU FECHADOS?"
"Preterimos
o uso de aeroportos adequados, porém distantes, como Galeão,
Guarulhos e Confins, a favor daqueles localizados em áreas centrais
como Santos Dumont, Congonhas e Pampulha. Escolhemos assumir riscos cada
vez maiores para minimizarmos os transtornos gerados pelo imponderável
deslocamento pelas nossas metrópoles congestionadas. É desnecessário
lembrar o quão insustentável é a nossa matriz de
transporte rodoviarista. Somente quando optarmos de fato pelo transporte
coletivo, não poluente, estruturado pelo modal metroferroviário,
é que desenvolveremos aeroportos como deveriam ser: distanciados
das áreas adensadas, com rápida acessibilidade e devidamente
seguros."
Fernando de Mello Franco,
sócio do escritório MMBB
"A
implantação de novos aeroportos em áreas urbanas
adensadas não é recomendável. Aeroportos consolidados,
em que as prefeituras permitiram adensamento do seu entorno, devem ser
estudados separadamente. No caso do aeroporto de Congonhas, por exemplo,
a desativação só é possível mediante
a proposição de alternativas viáveis para a aviação
comercial."
Mario Biselli, autor do projeto do novo terminal internacional de
passageiros do aeroporto de Florianópolis
"Os
aeroportos inseridos em zonas urbanas densamente povoadas são conseqüência
da ocupação desordenada do solo. Várias cidades no
mundo passam por esse tipo de situação. Infelizmente, a
desativação total desses serviços muitas vezes é
inviável, ainda mais em nosso país, cujos recursos financeiros
são escassos. No entanto, em casos extremos como o do Aeroporto
de Congonhas, devem ser tomadas medidas drásticas na operação
aeroportuária a fim de minimizar esse impacto negativo. Um controle
rigoroso do tipo e do peso das aeronaves que operam no local e das distâncias
percorridas, a limitação nos horários da operação
aeroportuária e, acima de tudo, controlar a demanda e manter uma
infra-estrutura de pistas e pátios executados com todo o rigor
técnico, atendendo às normas internacionais, são
fatores fundamentais a serem considerados no planejamento aeroportuário."
Sérgio Parada, autor de projetos como o do
Aeroporto Internacional
de Wuxi Shuofang (China), readequação do terminal de passageiros
do Aeroporto Presidente Juscelino Kubitschek, em Brasília, e do
edifício-garagem do Aeroporto de Congonhas, em São Paulo
"Se
nós entendermos o tráfego aéreo como prioritário
no atendimento ao maior número possível de pessoas, não
podemos imaginar aeroportos distantes dos centros urbanos. E mesmo os
que já existem, ou estão em projeto fora das grandes cidades,
serão inevitavelmente engolidos por elas com o tempo. Portanto,
não se trata de implantarmos terminais cada vez mais afastados,
de vinte em vinte anos. Temos, sim, de resolver esse problema restringindo
o uso residencial e comercial nas áreas de aproximação
das aeronaves, para garantir as chamadas áreas de escape das pistas,
respaldando-se numa política rigorosa de uso do solo e na continuidade
administrativa de seus gestores."
Mario Aloisio Melo, autor do terminal do Aeroporto
Internacional Zumbi dos Palmares, em Maceió
"No
lado 'ar', os aeroportos devem ser remodelados, desde que se instalem
todos os equipamentos que permitam aproximação e pousos
seguros, ou seja, tecnologia na infra-estrutura de controle, implantação
das áreas de escape nas cabeceiras para desaceleração
das aeronaves e avaliação de itens como atrito e drenagem.
No lado 'terra', os terminais de passageiros devem ser preservados e remodelados,
pois existe uma infra-estrutura de acesso viário e edificações
de apoio que não podem ser desconsideradas, até como referencial
urbano. O entorno residencial e comercial deve ser objeto de legislação
pertinente, inclusive no aspecto construtivo de edifícios, que
devem ter um grau de conforto acústico de acordo com os parâmetros
aceitáveis para o ouvido humano. Além disso, a localização
deve respeitar os afastamentos previstos para as rampas de aproximação
e transição e as normas internacionais."
Ubirajara Moretti, autor do novo terminal de passageiros
do Aeroporto Internacional de Guararapes, no Recife
"Aeroportos
urbanos são importantes e necessários, e não precisam
ser desativados. No entanto, o número de pousos e decolagens deve
estar adequado à capacidade de atendimento do terminal de passageiros,
da infra-estrutura e da capacidade de suporte da região do aeroporto.
O aeroporto de Congonhas poderia atender até nove milhões
de passageiros ao ano, em aeronaves com capacidade para até cem
pessoas, com a duração de até uma hora e meia de
vôo."
Regina Monteiro, arquiteta, urbanista e diretora de Projetos, Meio
Ambiente e Paisagem Urbana da Empresa Municipal de Urbanização
(Emurb), e conselheira do Movimento Defenda São Paulo
