A cidade do Rio de Janeiro recebeu a sua primeira remodelação urbanística em 1875. Com o fim do período colonial, a cidade pretendia modernizar-se e ingressar na economia internacional, atraindo investimentos externos. Em 1905, é inaugurada a Avenida Central (atual Rio Branco). E a partir dos anos 20, com o processo de industrialização do país, o Rio de Janeiro, então capital da república, passa a sofrer grandes transformações em seu espaço urbano.
Encomendado em 1926 pelo prefeito Prado Junior (1926-1930) ao arquiteto-urbanista francês Alfredo Agache, o Plano Agache reprisa a Paris iluminista de Haussman, buscando dar maior visibilidade à cidade. O plano dita regras para as edificações e para a ocupação ordenada dos espaços, separando áreas para moradia, comércio ou indústrias.
Segundo o plano, cada bloco de construção receberia, nas faces voltadas para as ruas que o limitam, edifícios de altura uniforme de 22 metros. No interior do bloco, na área fechada pela orla desses prédios seriam admitidos arranha-céus, com altura de 80 metros, dispostos de modo a formarem espaços livres, destinados ao estacionamento de automóveis. As vias públicas teriam o tráfego inteiramente desimpedido, sem o aspecto de garagem.
Considerando o sol causticante e as intempéries típicas de uma cidade tropical, Agache determina calçadas com 7 metros de largura cobertas por galerias semelhantes aos passeios da cidade de Turim e da rua Rivoli, em Paris. Em alguns trechos, haveria passagens para acesso às praças centrais onde seriam erguidos os edifícios gigantes.
O projeto acaba sendo engavetado e retomado depois da revolução de 30. Se na Velha República, era uma vergonha para a província ser uma cidade colonial, quando Getúlio Vargas finalmente toma o poder da oligarquia, a arquitetura e o urbanismo estavam ultrapassados. A nação, inserida definitivamente no sistema capitalista mundial, deveria mostrar-se moderna ao mundo e a cidade horizontal é a imperfeição a ser corrigida. O símbolo da modernidade da época são os grandes edifícios verticalizados.
Só durante a administração do prefeito Henrique Dodsworth (1937-1945), sob o regime do Estado Novo, retoma-se, com algumas alterações, o Plano Agache, no qual iria se inspirar o traçado da Avenida Presidente Vargas, planejada para ser a espinha dorsal de um processo radical de mudanças na estrutura espacial da cidade.
Fonte: Prefeitura da cidade do Rio de Janeiro |