Um condomínio residencial em meio a uma extensa área
verde desenhada por um paisagista, onde cada casa foi projetada por um
grande arquiteto contemporâneo. Assim é o projeto Ocho al
Cubo, uma iniciativa da empresa norte-americana Interdesign que reuniu
projetos de oito dos melhores arquitetos chilenos e, em uma segunda, etapa
irá contar com oito importantes arquitetos estrangeiros, entre
eles o japonês Toyo Ito, o chileno-francês Guillaume Jullian
e o norte- americano Rick Joy.
Todos os profissionais escolhidos emprestam seu talento e experiência
a projetos residenciais em um resort em Marbella, a 150 km da capital
Santiago, para o qual foram definidas características diretivas
harmoniosas com relação aos materiais, vistas e gabaritos.
A primeira etapa já foi finalizada e, dentre outros, congrega
residências desenhadas por Cristian Valdez, Jose Cruz e Mathias
Klotz. A casa Ocho al Cubo, de Klotz, foi publicada na edição
de setembro de 2006 de AU (AU 150). Desta vez, mostramos a proposta desenvolvida
por Sebastián Irarrázaval, que projetou uma casa usando
concreto, vidro, pedra e, o mais importante de todos os materiais, o puro
ar.
O cubo virtual de 300 m2 de Irarrázaval é formado pela
ausência de limites. A luz e as sombras são as qualificadoras
principais dos espaços e, como tal, permitem diferentes cenários
ao longo do dia. Segundo o próprio arquiteto, a casa foi pensada
para ser habitada nos finais de semana, ocasião excepcional em
que os moradores permanecem nos recintos por mais tempo, e podem aprofundar
seu olhar na qualidade do entorno. Essa característica levou Irarrázaval
a criar espaços mutantes, integrados e sem limites, de maneira
a aglutinarem-se conforme a vontade do observador. "O exterior e
o interior confundem-se e são delimitados pela vontade dos habitantes",
descreve. Disposta em um terreno em declive, a casa de planta quadrada
foi semi-enterrada, com o objetivo de manter livres as visuais do parque
e do campo de golfe, uma das premissas do plano diretor do condomínio.
A entrada principal é feita pela porção mais alta
do terreno, por uma extensa passarela de concreto. Um espelho d'água
retangular cruza o caminho do visitante e ocupa toda a extensão
da fachada frontal da casa. O acesso leva a um conjunto de rampas revestidas
de mármore travertino e limitadas por uma grande parede de concreto
com vazados geométricos que levam ao pátio de acesso. O
programa básico organiza-se a partir desse pátio de vidro,
onde uma espécie de pergolado de concreto e vidro permite que luz
e sombra recebam os visitantes. Nesse espaço, os pilares de concreto
que sustentam a laje são dispostos de maneira irregular, feita
para parecer aleatória, como árvores em um bosque.
Os ambientes como estar e jantar organizam-se na periferia da planta
quadrada, separados do exterior por grandes divisórias de vidro
que somem na platibanda de concreto da cobertura. O único volume
fechado localiza-se no núcleo do cubo e abriga dormitórios
e banheiros integrados por portas de correr. Lá fora, na porção
posterior do terreno, uma raia de piscina aguarda sozinha em meio a um
jardim sem deck, que, por sua vez, foi colocado estrategicamente sobre
a cobertura de concreto.
AU LEITURAS
AU 150 – setembro de 2006 – Casa Ocho al Cubo, de Mathias
Klotz, em Marbella, Chile
AU 159 – junho de 2007 – Hotel Indigo, de Sebastián
Irarrázaval, em Puerto Natales, Chile