Na edição de janeiro de AU, número 154, publiquei
uma descontraída relação de obras humanas, e até
da natureza, que seriam as "dez mais". Como sempre, cheguei
tarde. Já havia um esperto suíço que, em troca de
dinheiro (para que outra coisa serve a Suíça?), enviava
a você a confirmação do seu voto em uma das sete novas
maravilhas do mundo que ele chamou de moderno. Tudo pela internet, é
claro. Cem milhões de pessoas pagaram dez dólares cada uma
para participar da votação.
A relação é questionável, como qualquer
outra, e talvez seu maior mérito seja chamar a atenção
da população do mundo para as obras de arquitetura e engenharia
construídas na Terra. Só por isso, pela lembrança
da nossa profissão, esse suíço que fala várias
línguas (suíço, belga, canadense, australiano e austríaco)
merece o nosso agradecimento.
Há uma diferença entre o que se considera no presente ou
no passado uma melhor arquitetura para um ou outro edifício e uma
obra mais impressionante. Entre as obras fabulosas, a maior parte é
de engenharia, conhecidas apenas por especialistas e às vezes até
invisíveis, quando enterradas. Mas para os que sabem da sua existência,
são tão impressionantes quanto as grandes obras de arquitetura,
muito embora uma boa parte de sua beleza esteja no fantástico processo
de construção.
Então por justiça para com nossos colegas engenheiros,
vamos citar algumas obras absolutamente notáveis, sem preocupação
de ordem:
O canal de Panamá e o de Corinto (Hellas/Grécia)
O acelerador de partículas de 27 km de diâmetro,
a centenas de metros de profundidade, ocupando a France e a Suisse, próximo
a Genève
As barragens e usinas de Três Gargantas (Império
do Meio, vulgo China), o Hoover Dam (Colorado, USA), Itaipu (Brasil),
a barragem de Aswan e a transferência dos templos de Abu-Simbel
(Egito)
As pontes do Porto e a Torre Eiffel (Porto/Portugal, Paris/France)
O viaduto de Millau (France), as pontes de Maillart (Suisse)
A ponte de Akashi-Kyo (Kobe/Nikkon), a Golden Gate e a Brooklyn
Bridge (San Francisco, New York/USA), a ponte Fifth of Forth (Scotland)
A ferrovia Transiberiana (Rússia), as ferrovias de alta
velocidade da Europa e os funiculares do Mont Blanc (France)
Os portos flutuantes para a invasão da Normandia (France)
As plataformas de petróleo e o oleoduto do Alaska (USA/Canada)
Os sistemas de proteção contra o mar do norte (Nederland)
e London (England), os da Laguna (Venezia, Italia) e as cidades em ilhas
artificiais em Dubai (Emirates)
A rodovia da costa da Califórnia e todas as rodovias da
Itália
A construção de Brasília
As ilhas artificiais e ferrovias dos aeroportos de Chep-Lap-Kok
(Hong-Kong/China) e Kansai (Osaka, Nikkon)
A rodovia subterrânea de Boston passando sob prédios,
ferrovias, avenidas e porto e substituindo as vias elevadas do centro
da cidade por um parque (custou US$ 30 bi)
A ponte/túnel/rodovia/ferrovia sobre/sob o mar Báltico,
ligando Köbenhavn (Danmark) a Malmö (Sverige), os túneis
ferroviários sob o mar do Japão ligando as ilhas de Kyushu
e Hokkaido (56 km) e o túnel ferroviário sob o canal da
Mancha, no qual, quando as equipes inglesa e francesa se encontraram na
última perfuração, o espirituoso mestre-de-obras
inglês berrou "estou sentindo um cheirinho de alho..."!
E finalmente, last but not the least, as minúsculas obras
de engenharia, de alguns milímetros de comprimento e de espessura
comparável a um fio de cabelo, chamadas stents e que possibilitam
que eu continue a escrever estes artigos.
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