Os arquitetos que conhecem e gostam da história da arquitetura
e que foram educados nas décadas de prestígio da arquitetura
brasileira distinguem de imediato o que julgam boa arquitetura, sem poderem
realmente defini-la. É como um juiz da suprema corte dos Estados
Unidos que, ao emitir um parecer sobre pornografia, esclareceu, "pornografia
e mulher bonita realmente eu não sei definir, mas eu sei exatamente
o que são quando as vejo".
Talvez o que o autor da enquete sobre as maravilhas modernas quisesse
identificar fossem não as obras mais belas, mas as mais impactantes.
As que são imediatamente lembradas e cuja localização
boa parte dos terráqueos (que nome!) sabe indicar imediatamente.
Nesse caso, a minha lista indicaria o Empire State Building, a Estátua
da Liberdade, a Torre Eiffel, as Pirâmides do Egito, o Vaticano,
o Kremlin e a Sydney Opera House.
O Cristo Redentor? Acredito que boa parte da população
brasileira e a totalidade dos votantes estrangeiros elegeram não
a estátua, mas sim a beleza extraordinária da cidade do
Rio de Janeiro, no qual a estátua, apesar de sua agressão
paisagística a uma montanha maravilhosa, não deixa de ser
um símbolo fortíssimo, que realmente lembra a qualquer um
a cidade maravilhosa, tanto quanto o Pão de Açúcar.
Como monumento artístico, é sofrível, um exemplo
fraco de Art-Déco. O nosso Christler Building. Porém, sem
dúvida, um grande apelo turístico.
Mas tivemos um plus ao recebermos um prêmio tão cobiçado.
Na cerimônia em Lisboa, a entrega foi feita a um brasileiro autêntico,
adorado pelos portugueses e certamente uma marca brasileira fortíssima
do grande símbolo do P aís, que é o futebol. Nosso
Luiz Felipe Scolari, o querido Felipão, e não uma ministra
do turismo sexual qualquer.
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