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Como especificar

A IMPORTÂNCIA DA ERGONOMIA
QUANDO SE FALA EM CADEIRA DE ESCRITÓRIO, UM ASSUNTO DE EXTREMA IMPORTÂNCIA NÃO PODE SER ESQUECIDO: ERGONOMIA. É a partir DELA QUE O DESIGN DESTE PRODUTO SURGE PARA PROPORCIONAR BEM-ESTAR AO USUÁRIO

POR KEILA BIS


Uma pesquisa do ergonomista norte-americano E.R. Tichauer revelou que uma cadeira adequada ao usuário acrescenta quarenta minutos produtivos em cada dia trabalhado. Faz sentido, visto que uma pessoa que não se sente confortável na posição sentada tende a se levantar a todo instante para relaxar a musculatura. Esse foi um dos principais motivos que tornaram o consumidor desse produto mais exigente e, conseqüentemente, levou os fabricantes a produzir cadeiras que garantam o máximo de conforto, bem-estar e saúde.

A ergonomia, então, passou a nortear o trabalho de produção das cadeiras de escritório. A base do projeto está focada em descobrir quem é o usuário, qual função ele exerce e a partir daí adaptar as melhores questões ergonômicas. Para tanto, uma equipe de diferentes profissionais entra em ação: são designers, engenheiros de produto, engenheiros mecânicos, tecnólogos, ergonomistas, profissionais do processo de fabricação, marqueteiros e muitos outros.

Segundo o engenheiro de produto Cláudio Muzi, "uma cadeira de escritório top de linha demora, no mínimo, dois anos para ficar pronta". Testes são feitos com inúmeras pessoas com biótipos diferentes, pois é essencial que a cadeira se adapte às pessoas e a todos os tipos físicos – não o contrário. Por esse motivo, o design da cadeira de escritório é definido em função da ergonomia. Quando se repara no encosto de muitas delas fica evidente: sua forma acompanha a curvatura natural da coluna.

Para o designer José Roberto Calejo, "uma cadeira bem projetada, correta ergonomicamente, se ajusta tão perfeitamente ao usuário que se torna esteticamente bonita". A forma de bordas arredondadas serve para não comprimir as coxas, nem o nervo ciático, não estrangular os vasos sanguíneos e acompanhar o "S" da coluna. "Mas esse formato não pode ser muito arredondado, muito concha, pois travaria as pessoas em uma posição, impedindo seu movimento", explica Lilian Osmo, professora de ergonomia do curso de design industrial da Faap (Fundação Armando Álvares Penteado), em São Paulo.

As cadeiras de escritório ganham forma também conforme a hierarquia do funcionário. Quanto mais alto o cargo maior o espaldar da cadeira. Por outro lado, uma cadeira para presidentes e diretores não exige tantas regulagens quanto, por exemplo, a de um funcionário que usa muito o computador. São as regulagens que vão dar todo o apoio ao corpo, para que se sustente de forma adequada na posição sentada. É por esse motivo também que quanto maior o número de regulagens mais cara a cadeira custa.

Outro fator que contribui para o encarecimento são os materiais. "Há uma tendência de se usar materiais automobilísticos como a espuma injetada, resinas termoplásticas e alumínio polido", explica Muzi. O aço e o alumínio são muito usados na estrutura da cadeira por serem leves e resistentes. E os tecidos vão desde os naturais até os sintéticos. "Mas a cadeira provou que não precisa ser estofada para ser boa. Existem muitas que têm tela de náilon e epóxi, por exemplo", lembra Lilian.

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