Situado em pleno Centro de São Paulo, a alguns passos da esquina
da Avenida São João com a Ipiranga, no coração
da América do Sul, onde – conforme já proclamou Caetano
Veloso na canção Sampa, "alguma coisa acontece no meu
(ou nosso) coração", ressurge o novo Marabá
Hotel, com visual, serviços e espaços reciclados e remodelados
pela arquiteta pernambucana Janete Costa. Um edifício de onze andares
projetado e construído pela Sociedade Construtora Duarte nos anos
40, defronte ao histórico Cine Ipiranga e Hotel Excelsior, assinado
por Rino Levi em 1941, e que também será reciclado pela
arquiteta.
O prédio, além do hotel, contém o antigo Cine Marabá,
que participou ativamente da vida cultural da cidade, nos anos 40 e 50,
ao exibir os sucessos cinematográficos da época, de Hollywood,
quando ainda era possível transitar e caminhar livremente pelo
Centro, sem medo de assaltos ou seqüestros-relâmpago. Fechado,
o cinema passará por profunda reforma sob responsabilidade da PlayArte,
que pretende instalar cinco novas salas de projeção.
O acontecimento, no caso do Marabá, relaciona-se ao impacto que
o novo projeto causa nos hóspedes e freqüentadores do tradicional
hotel de quatro estrelas. O trabalho de restauração e atualização
contou com a participação de diversos profissionais, artesãos,
designers e marchands, e foi desenvolvido a partir do conceito de design
hotel, ou seja, o ambiente deve ser tratado de forma a intensificar a
experiência do hóspede.
De acordo com Janete Costa, que nasceu em Guaranhuns, no interior pernambucano,
e se diplomou em 1961 pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, "o
funcionamento constitui o ponto-chave para se garantir ao hóspede
conforto em termos ergonômicos e funcionais". Isso inclui da
cama à iluminação, da circulação ao
frigobar, e até mesmo garantir condições para seu
trabalho e atividade profissional. A cama, no caso, tem que ser larga,
ao contrário das antigas, estreitas. Também não podem
faltar a TV de 29" de tela plana e o DVD player.
Focada nessas premissas e princípios norteadores, a arquiteta-designer,
a exemplo de outros projetos, como o do Pergamon Hotel, também
em São Paulo, lançou mão, nessa composição
quase litúrgica, de elementos artesanais e industrializados, mesclando-os
de forma inventiva e sensível. "Adoro essa tensão entre
o ancestral e o contemporâneo, o popular e o erudito, o trabalho
de um designer profissional e o de um artesão autodidata, essa
mistura da argila com o metal, madeira e vidro", diz.
Janete Costa conta que, ao assumir o projeto de renovação
do Marabá, procurou detectar o que poderia aproveitar do prédio
pré-existente – mas ficou horrorizada.
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