avia por todos os lados colunas e vigas que não poderiam ser quebradas
por serem estruturais. Mobiliário não havia nenhum. A cobertura,
que motivou a principal intervenção, era um vazio ao lado
de um prédio decadente. “Uma ruína”, exclama.
A partir das colunas, pilastras e vigas, Janete Costa desenhou um novo
layout espacial, tirando partido de cada canto e resquícios que
sobraram do antigo Marabá, como as portas dos armários antigos,
as varandas e a marcante fachada, de que resultaram ante-salas, uma microestação
de trabalho com acesso à internet e uma banqueta para usuários
de notebooks e laptops, além de uma minibiblioteca e um coffe bar.
"Tudo o que eu podia aproveitar, aproveitei", garante a arquiteta.
As varandas, por exemplo, se comunicavam com os quartos, numa situação
de insegurança ao hóspede. Em função disso,
Janete decidiu criar divisórias de vidro com luminárias
que, à noite, imprimem um "toque oriental" à fachada.
Para desenhar o mobiliário, Janete Costa contou com a colaboração
de seu marido, o mestre Acácio Gil Borsoi. A dupla criou protótipos
mais tarde desenvolvidos por marceneiros de uma fábrica de móveis
do estado do Paraná, a Tobol, escolhida por concorrência.
As portas dos armários dos apartamentos foram recicladas, recebendo
pintura em tons preto e marrom, num contraste com as paredes brancas das
suítes. As esquadrias basculantes também foram recuperadas.
Agora com pintura preta e vidros jateados, conferem o "clima oriental"
desejado pela arquiteta. Os pisos dos corredores receberam carpete de
madeira.
No pequeno lobby, que deverá ser ampliado graças à
aquisição do edifício vizinho, que abrigava o antigo
hotel Terminus, destacam-se o megarrelógio da Triggi e as cabeças
de cerâmica do artista Maurício Silva. Junto com o avião
metálico de Maurício Castro, esses elementos absorvem o
visitante para o ambiente contemporâneo e acolhedor do hotel.
O Marabá tem 95 apartamentos, biblioteca, espaço para acesso
à internet, sauna e sala de ginástica. Na cobertura, além
de uma visão privilegiada do Centro de São Paulo, com seus
edifícios históricos, como os clássicos Esther (1935)
e Itália (1956), projetado por Franz Heep, é possível
relaxar entre as floreiras do jardim vertical.
Coerente com seus princípios profissionais, Janete Costa afirmou
em depoimento registrado no livro Viva o povo brasileiro, "o que
define o artista é a capacidade de atrelar seu capital cultural
ao seu universo social". "Acima do dinheiro, deve estar a paixão
do profissional pelo seu oficio de criação e transformação".
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