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Internacional

PELO FUTURO DA HISTÓRIA
COM AS FACHADAS ORIGINAIS RECUPERADAS, DEPÓSITO DE UM CONJUNTO FABRIL DO SÉCULO 18 É TRANSFORMADO EM UMA MODERNA RESIDÊNCIA

POR HAIFA Y. SABBAG FOTOS ANDREA MARTIRADONNE

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Na Itália, vale observar, as obras novas são autorizadas apenas nos poucos terrenos vazios ou em situações em que a velha construção esteja degradada além da possibilidade de recuperação. Todas as edificações antigas são protegidas por lei, permitindo-se restaurações desde que sejam conservadas suas características e com a aprovação da municipalidade. A preservação não se limita aos monumentos arquitetônicos, mas a tudo que marque um tempo, uma época, um fato histórico, a fim de se preservar o patrimônio cultural do país.

Assim ocorreu com o conjunto de edifícios de uma indústria do final do século 18, situado no pitoresco bairro Rimembranze di Greco, próximo da Estação Central de Milão e defronte a um dos antigos canais por onde escoavam as mercadorias. A residência aqui mostrada é parte dessa propriedade.

Para a reciclagem desses imóveis o arquiteto Francesco Mauri elaborou um estudo do conjunto como um todo, estabelecendo as relações existentes entre os prédios, entre seus espaços internos e externos, procurando manter características tipológicas da arquitetura industrial, segundo a lógica de recuperação local.

O volume maior, onde funcionava a indústria, foi adaptado para abrigar lofts e escritórios. À mansão do proprietário da fábrica, o arquiteto incorporou apartamentos e ainda escritórios, mas o depósito que acompanha o limite do terreno voltado para o canal Martesana foi adquirido por uma só pessoa. As antigas construções somavam 1.096 m2 de área. Para a renovação foram demolidos apenas 240 m2, conforme permite o regulamento da cidade, ou seja, uma porcentagem de cerca de 20% da área construída a fim de não descaracterizar os edifícios.

Adquirido por um casal com dois filhos adolescentes, o galpão foi recuperado pela arquiteta Marisa Barda, responsável também pelo acompanhamento da obra e desenho do mobiliário. Do velho e longo depósito com 4,2 m de largura e 36 m de comprimento, surgiu a residência de 150 m2 que ocupa apenas o andar superior. O térreo concentra o acesso único da casa e o estacionamento dos carros do conjunto.
A arquiteta procurou dar ênfase à situação longitudinal dessa construção, conservando, entre outros aspectos, o volume da escada construída anteriormente, alterando apenas sua forma e determinando os novos espaços por meio de percursos e iluminação.

No primeiro piso desenvolve-se todo o programa da casa. O telhado de uma água foi elevado em 0,75 m em relação ao existente, tirando-se partido de sua inclinação. A altura das paredes varia, portanto, de dois a quatro metros. Em determinados pontos, as paredes longitudinais não atingem o teto para evitar recortes onde passam as vigas. Com essa solução, explica a arquiteta, tem-se uma percepção total da estrutura do telhado e de todos os ambientes, sem barreiras visuais. As paredes que protegem os boxes dos chuveiros, em forma circular para efeito estético e de volumetria, avançam para fora dos banheiros.

A distribuição dos ambientes é singular. De fato, a planta em si revela a maneira de viver da classe média na Itália, semelhante à de quase toda a Europa. A área de serviço refere-se apenas à cozinha, ponto de fuga de todos os espaços. Não há lavabo nem lavanderia, embora a arquiteta tenha feito uma pequena divisão em um dos banheiros para lavagem de roupas. Os dois dormitórios e respectivos banheiros situam-se, cada um, em uma das extremidades do pavimento, não existindo contato entre eles.

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