O ambiente urbano, o território, são referências
para se criar ou modificar as relações entre os bens que
são objeto de conservação, cuja importância
vai além da dimensão física e estética. A
cidade contemporânea, e não só a européia,
é composta de vários extratos, uma paisagem formada por
edificações construídas em fases e tempos diferentes
do crescimento urbano. Em cada época, cada sociedade se diversifica
da que a precedeu, por sua própria representação
nos monumentos arquitetônicos, tentando marcar aquele momento determinado
além das necessidades e dos motivos contingentes pelos quais os
edifícios foram construídos. Além disso, cada indivíduo
no decorrer do cotidiano deixa um sinal no próprio ambiente urbano
e, dessa maneira, contribui na definição das características
daquele espaço.
Nas relações entre as várias partes e a sua forma
geral, a cidade é totalmente percorrida por uma rede de hierarquias
simbólicas nas quais o contexto e os elementos emergentes, como
habitações e monumentos, se confrontam, se contrapõem
ou se associam para produzir significados e diferenças.
ndependentemente do motivo pelo qual certos edifícios ou monumentos
arquitetônicos foram construídos, a cidade quer fixar, marcar
aquele tempo determinado, que é sempre diferente daquele que o
substituiu, tornando-se uma herança que testemunha aspirações
pessoais ou coletivas.
É costume transformar monumentos, edifícios e espaços
particulares, tornando-os lugares da memória coletiva, símbolos
imutáveis em um mundo mutável. Mas não é suficiente.
Os urbanistas tentam dar forma, estrutura e coesão aos elementos
urbanos. Os arquitetos, com suas obras de edificação, ultrapassam
a marcação do tempo enquanto a arquitetura vernacular, mais
espontânea, revela e interliga sua historicidade à tradição,
dando caráter ou genius loci à cidade.
A arquitetura vernacular – entendida como arquitetura comum, anônima,
construída sem interferência de arquitetos ou engenheiros
– constitui a fisionomia da cidade, ou seja, é aquela que
se exprime com linguagens e expressões que refletem o lugar e o
ambiente onde foi formada. Uma cidade nunca é igual à outra.
As cidades resultam de uma infinidade de diferenças geográficas
ou da tradição.
Nesse sentido, na Europa, e de modo particular na Itália, um novo
conceito de "herança histórica" amplia a opinião
tradicional de relação monumento/documento, ou seja, o conceito
de patrimônio não se limita aos monumentos, mas se estende
progressivamente à herança do passado, da mais distante
à mais próxima, por características de ordem cultural.
A prioridade, que era dada somente à conservação
de obras relevantes, começa a abranger edificações
sem importância arquitetônica significativa, prevalecendo
o valor da história sobre a estética.
PÁGINAS :: 1 | 2 | 3 | 4 | Próxima >>