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Interseção


PORQUE CONSERVAR
AÇÕES DE RESTAURO E REVITALIzação NÃO DEVEM SE LIMITAR A MONUMENTOS E EDIFÍCIOS HISTÓRICOS. CONSTRUÇÕES VERNACULARES E INSTALAÇÕES INDUSTRIAIS E DE SERVIÇOS QUE SERVEM DE REFERÊNCIA PARA A CIDADE TAMBÉM DEVEM SER PRESERVADAS

POR MARISA BARDA




O ambiente urbano, o território, são referências para se criar ou modificar as relações entre os bens que são objeto de conservação, cuja importância vai além da dimensão física e estética. A cidade contemporânea, e não só a européia, é composta de vários extratos, uma paisagem formada por edificações construídas em fases e tempos diferentes do crescimento urbano. Em cada época, cada sociedade se diversifica da que a precedeu, por sua própria representação nos monumentos arquitetônicos, tentando marcar aquele momento determinado além das necessidades e dos motivos contingentes pelos quais os edifícios foram construídos. Além disso, cada indivíduo no decorrer do cotidiano deixa um sinal no próprio ambiente urbano e, dessa maneira, contribui na definição das características daquele espaço.

Nas relações entre as várias partes e a sua forma geral, a cidade é totalmente percorrida por uma rede de hierarquias simbólicas nas quais o contexto e os elementos emergentes, como habitações e monumentos, se confrontam, se contrapõem ou se associam para produzir significados e diferenças.

ndependentemente do motivo pelo qual certos edifícios ou monumentos arquitetônicos foram construídos, a cidade quer fixar, marcar aquele tempo determinado, que é sempre diferente daquele que o substituiu, tornando-se uma herança que testemunha aspirações pessoais ou coletivas.

É costume transformar monumentos, edifícios e espaços particulares, tornando-os lugares da memória coletiva, símbolos imutáveis em um mundo mutável. Mas não é suficiente. Os urbanistas tentam dar forma, estrutura e coesão aos elementos urbanos. Os arquitetos, com suas obras de edificação, ultrapassam a marcação do tempo enquanto a arquitetura vernacular, mais espontânea, revela e interliga sua historicidade à tradição, dando caráter ou genius loci à cidade.

A arquitetura vernacular – entendida como arquitetura comum, anônima, construída sem interferência de arquitetos ou engenheiros – constitui a fisionomia da cidade, ou seja, é aquela que se exprime com linguagens e expressões que refletem o lugar e o ambiente onde foi formada. Uma cidade nunca é igual à outra. As cidades resultam de uma infinidade de diferenças geográficas ou da tradição.

Nesse sentido, na Europa, e de modo particular na Itália, um novo conceito de "herança histórica" amplia a opinião tradicional de relação monumento/documento, ou seja, o conceito de patrimônio não se limita aos monumentos, mas se estende progressivamente à herança do passado, da mais distante à mais próxima, por características de ordem cultural. A prioridade, que era dada somente à conservação de obras relevantes, começa a abranger edificações sem importância arquitetônica significativa, prevalecendo o valor da história sobre a estética.

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