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Interseção

PORQUE CONSERVAR
AÇÕES DE RESTAURO E REVITALIzação NÃO DEVEM SE LIMITAR A MONUMENTOS E EDIFÍCIOS HISTÓRICOS. CONSTRUÇÕES VERNACULARES E INSTALAÇÕES INDUSTRIAIS E DE SERVIÇOS QUE SERVEM DE REFERÊNCIA PARA A CIDADE TAMBÉM DEVEM SER PRESERVADAS

POR MARISA BARDA



De fato, a extensão do conceito de conservação está relacionada com a abertura de uma cultura setorial (essencialmente ligada ao valor histórico, de um patrimônio arquitetônico visto essencialmente como monumento) direcionando-se para uma cultura integrada, na qual a sobrevivência dos valores da história conecta-se à idéia de projeto.

Recuperar a dialética da unidade e do fragmento, do contínuo e do descontínuo, do idêntico e do diverso significa aceitar um espaço urbano carregado de valores simbólicos hierarquizados que dão um significado diferencial à arquitetura.

REGISTRO DA FORMAÇÃO DA CIDADE
Com essa abordagem, a importância da conservação não se limita somente a monumentos arquitetônicos, mas abrange também a arquitetura vernacular, uma arquitetura "menor", não necessariamente antiga, que reflete um determinado momento histórico da cidade, relacionando-o à formação de suas ruas e bairros. A conservação diz respeito, nesse caso, também a edifícios públicos, edifícios industriais, espaços intermediários, jardins que dividem um espaço privado da rua ou até mesmo a vazios urbanos que ao longo do tempo conseguiram estabelecer inter-relações entre o espaço urbano e os indivíduos, ou seja, espaços públicos, privados e semiprivados.

Isso reforça o conceito de que a arquitetura vernacular somente deve ser considerada dentro do seu contexto, como uma ponte entre a história e a arquitetura, como um sistema contínuo de referências para a transformação e tutela dos valores históricos e culturais e para a formação de uma consciência popular. Na arquitetura vernacular, a inovação não é considerada uma virtude. Nela, não são reconhecidos estilos, mas somente um único estilo que é fixo e imutável na sua essencialidade tipológica e morfológica, da mesma maneira como o são os objetos na natureza – e, assim como na natureza, as realizações desse estilo são infinitamente variadas.

Tanto a cultura vernacular quanto a clássica se baseiam na repetição de alguns tipos construtivos e espaciais fundamentais, que são a expressão universal das atividades humanas, do trabalho e do prazer, coletivos e individuais. Porém, sob o ponto de vista filosófico, clássico e vernacular não estão fundamentados em uma distinção de classes, mas na distinção entre coletivo e individual, entre monumentos e edificações urbanas, entre edifícios públicos e habitações privadas.

Principalmente na Itália, técnicas de expansão foram substituídas por práticas de recuperação e remodelação fundamentadas na história, por meio de significados coletivos intrínsecos e estratificados, ou seja, baseados nas tradições regionais e pertencentes à cultura popular. Esta se manifesta de modo muito diferente em cada região, em função de suas raízes, costumes e identidade. A recuperação deveria considerar os efeitos do reequilíbrio e da transformação em escala urbana e territorial, levando em conta ampla estratégia de valores.

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