De fato, a extensão do conceito de conservação está
relacionada com a abertura de uma cultura setorial (essencialmente ligada
ao valor histórico, de um patrimônio arquitetônico
visto essencialmente como monumento) direcionando-se para uma cultura
integrada, na qual a sobrevivência dos valores da história
conecta-se à idéia de projeto.
Recuperar a dialética da unidade e do fragmento, do contínuo
e do descontínuo, do idêntico e do diverso significa aceitar
um espaço urbano carregado de valores simbólicos hierarquizados
que dão um significado diferencial à arquitetura.
REGISTRO DA FORMAÇÃO DA CIDADE
Com essa abordagem, a importância da conservação não
se limita somente a monumentos arquitetônicos, mas abrange também
a arquitetura vernacular, uma arquitetura "menor", não
necessariamente antiga, que reflete um determinado momento histórico
da cidade, relacionando-o à formação de suas ruas
e bairros. A conservação diz respeito, nesse caso, também
a edifícios públicos, edifícios industriais, espaços
intermediários, jardins que dividem um espaço privado da
rua ou até mesmo a vazios urbanos que ao longo do tempo conseguiram
estabelecer inter-relações entre o espaço urbano
e os indivíduos, ou seja, espaços públicos, privados
e semiprivados.
Isso reforça o conceito de que a arquitetura vernacular somente
deve ser considerada dentro do seu contexto, como uma ponte entre a história
e a arquitetura, como um sistema contínuo de referências
para a transformação e tutela dos valores históricos
e culturais e para a formação de uma consciência popular.
Na arquitetura vernacular, a inovação não é
considerada uma virtude. Nela, não são reconhecidos estilos,
mas somente um único estilo que é fixo e imutável
na sua essencialidade tipológica e morfológica, da mesma
maneira como o são os objetos na natureza – e, assim como
na natureza, as realizações desse estilo são infinitamente
variadas.
Tanto a cultura vernacular quanto a clássica se baseiam na repetição
de alguns tipos construtivos e espaciais fundamentais, que são
a expressão universal das atividades humanas, do trabalho e do
prazer, coletivos e individuais. Porém, sob o ponto de vista filosófico,
clássico e vernacular não estão fundamentados em
uma distinção de classes, mas na distinção
entre coletivo e individual, entre monumentos e edificações
urbanas, entre edifícios públicos e habitações
privadas.
Principalmente na Itália, técnicas de expansão foram
substituídas por práticas de recuperação e
remodelação fundamentadas na história, por meio de
significados coletivos intrínsecos e estratificados, ou seja, baseados
nas tradições regionais e pertencentes à cultura
popular. Esta se manifesta de modo muito diferente em cada região,
em função de suas raízes, costumes e identidade.
A recuperação deveria considerar os efeitos do reequilíbrio
e da transformação em escala urbana e territorial, levando
em conta ampla estratégia de valores.
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