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Interseção

PORQUE CONSERVAR
AÇÕES DE RESTAURO E REVITALIzação NÃO DEVEM SE LIMITAR A MONUMENTOS E EDIFÍCIOS HISTÓRICOS. CONSTRUÇÕES VERNACULARES E INSTALAÇÕES INDUSTRIAIS E DE SERVIÇOS QUE SERVEM DE REFERÊNCIA PARA A CIDADE TAMBÉM DEVEM SER PRESERVADAS

POR MARISA BARDA



Podemos, assim, apontar que a ampliação do conceito de conservação está relacionada com a passagem de uma cultura integrada, cuja permanência dos valores na história está conectada à idéia de projeto. O ambiente urbano, o território, são, portanto, referências para criar ou modificar as relações entre os bens que são objeto de conservação e cuja importância vai além do aspecto físico e estético.

É importante que se estenda o conceito de conservação de monumentos arquitetônicos para a fisionomia da cidade como um todo, por revitalizações ou mesmo restauros, de modo que o tecido histórico, como trama do existente, seja considerado dentro do seu contexto, como um sistema contínuo de referências para a transformação e tutela dos valores históricos e culturais.

A idéia seria ampliar a preservação aos tecidos urbanos menores, áreas e imóveis industriais obsoletos ou abandonados, arquitetura rural e vernacular, formas de paisagem alterada pelo homem. Dessa maneira, a questão do patrimônio se tornaria o resultado de um processo complexo de seleção crítica agregada a um valor memorial.

OBRAS ASSUMEM DIFERENTES FUNÇÕES
A obsolescência e a desativação industrial também pertencem à história da cidade, seja como fenômeno contínuo de substituição, seja como abandono repentino que inesperadamente muda a geografia urbana. A obsolescência e a desativação não implicam apenas uma mudança da distribuição das atividades dentro do espaço urbano. Indicadoras de uma impossibilidade, a obsolescência e desativação freqüentemente implicam mudança de escalas e de relações espaciais.

O fenômeno da obsolescência industrial e da descentralização desse setor ocorre pelo menos há 30 anos na Europa e mais recentemente no Brasil. É possível, assim, traçar um roteiro das mudanças por meio do reconhecimento das diferenças de cada caso, de suas origens, condições e valores estratégicos. Muitas dessas áreas já desocupadas ou em fase de abandono são extensas. Há outras menos expressivas e até mesmo edifícios isolados. O contexto urbano e as carências subjacentes, entretanto, serão fundamentais.

É importante também esclarecer que nem tudo daquilo que caracterizou a cidade industrial – fábricas, áreas de produção, equipamentos superados – pode ser considerado patrimônio, objeto a ser conservado e tutelado. Isso exige uma revisão analítica e crítica desses valores, isto é, quais valores manter, como mantê-los e que relações devem estabelecer com a cidade.

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