Podemos, assim, apontar que a ampliação do conceito de
conservação está relacionada com a passagem de uma
cultura integrada, cuja permanência dos valores na história
está conectada à idéia de projeto. O ambiente urbano,
o território, são, portanto, referências para criar
ou modificar as relações entre os bens que são objeto
de conservação e cuja importância vai além
do aspecto físico e estético.
É importante que se estenda o conceito de conservação
de monumentos arquitetônicos para a fisionomia da cidade como um
todo, por revitalizações ou mesmo restauros, de modo que
o tecido histórico, como trama do existente, seja considerado dentro
do seu contexto, como um sistema contínuo de referências
para a transformação e tutela dos valores históricos
e culturais.
A idéia seria ampliar a preservação aos tecidos
urbanos menores, áreas e imóveis industriais obsoletos ou
abandonados, arquitetura rural e vernacular, formas de paisagem alterada
pelo homem. Dessa maneira, a questão do patrimônio se tornaria
o resultado de um processo complexo de seleção crítica
agregada a um valor memorial.
OBRAS ASSUMEM DIFERENTES FUNÇÕES
A obsolescência e a desativação industrial também
pertencem à história da cidade, seja como fenômeno
contínuo de substituição, seja como abandono repentino
que inesperadamente muda a geografia urbana. A obsolescência e a
desativação não implicam apenas uma mudança
da distribuição das atividades dentro do espaço urbano.
Indicadoras de uma impossibilidade, a obsolescência e desativação
freqüentemente implicam mudança de escalas e de relações
espaciais.
O fenômeno da obsolescência industrial e da descentralização
desse setor ocorre pelo menos há 30 anos na Europa e mais recentemente
no Brasil. É possível, assim, traçar um roteiro das
mudanças por meio do reconhecimento das diferenças de cada
caso, de suas origens, condições e valores estratégicos.
Muitas dessas áreas já desocupadas ou em fase de abandono
são extensas. Há outras menos expressivas e até mesmo
edifícios isolados. O contexto urbano e as carências subjacentes,
entretanto, serão fundamentais.
É importante também esclarecer que nem tudo daquilo que
caracterizou a cidade industrial – fábricas, áreas
de produção, equipamentos superados – pode ser considerado
patrimônio, objeto a ser conservado e tutelado. Isso exige uma revisão
analítica e crítica desses valores, isto é, quais
valores manter, como mantê-los e que relações devem
estabelecer com a cidade.
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