Essas fábricas, armazéns e galpões, antes instalados
em regiões relativamente afastadas dos centros das cidades, encontram-se,
hoje, incorporados pelo crescimento urbano. Ganharam uma nova centralidade.
A obsolescência industrial gera estratagemas, pois torna disponíveis
para novos "tipos" de uso, áreas e partes do território
ou imóveis com uma posição central e estratégica
no contexto urbano, e um grau de infra-estrutura e relações
de diferentes intensidades, mas já existentes.
A reutilização dessas áreas e edifícios é
geralmente caracterizada por novos usos e funções de caráter
coletivo e público, com tendência ao saneamento ambiental.
E, com a mesma lógica de marketing para conservação
de monumentos, os investimentos privados têm grande interesse nesse
tipo de intervenção.
A operação de demolição, como a própria
história ensina, é parte integrante do processo de construção
e regeneração da cidade, provocado, em geral, por mudança
de cânones estéticos, funcionais, militares ou sociais que
induzem julgar anacrônica e obsoleta a produção arquitetônica
vernacular de um determinado período.
A defesa do antigo e a intensificação da produção
arquitetônica e artística contemporânea são
dois lados de uma mesma moeda: são ações paralelas
que devem coexistir e sobrepor-se com a firme intenção de
melhorar a qualidade do espaço urbano.
A preservação, nessa sua concepção mais recente,
constitui o modo sempre mais decisivo, uma base de fundo para práticas
artísticas, projetuais e criativas em geral. Isto é, para
aqueles que usam como instrumento de conhecimento a imaginação
e a memória. A conservação se torna assim um percurso
privilegiado em direção à lembrança do passado,
como seleção crítica daquilo que tem valor coletivo:
uma postura preservadora se afirma no contemporâneo em contraposição
a uma idéia de modernização que, como diz Michelangelo
Russo, “tudo destrói e esquece" (Russo, 1998).
Marisa Barda, formada pela FAUUSP em 1979, é
mestre em História e Fundamentos da Arquitetura e Urbanismo pela
mesma instituição. Em 1982 transfere-se para Milão
onde atuou em escritórios de fama internacional, estabelecendo
o seu próprio em 1990. Atua em projetos de recuperação,
restauro e arquitetura. Colabora regularmente com as revistas Abitare
(Itália) e AU. Em 2002 volta a morar no Brasil, mas mantém
seu trabalho em Milão, assim como em São Paulo
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