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Brasil

EMBARQUE PARA UM NOVO MODELO
FUTURISTA, A ESTAÇÃO ALTO DO IPIRANGA DO METRÔ DE SÃO PAULO INAUGURA UM NOVA CONCEPÇÃO ARQUITETÔNICA, QUE EXPLORA CORES E MATERIAIS COMO O VIDRO E O AÇO. A NOVA ABORDAGEM TAMBÉM tenta EVITAr GRANDES DESAPROPRIAÇÕES

POR SILVANA MARIA ROSSO FOTOS MARCELO SCANDAROLI

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O passageiro desavisado que desembarca na nova parada da Linha 2 - Verde do Metrô de São Paulo pode pensar que entrou no cenário de algum filme futurista. Recebido por paredes arredondadas, ele prossegue pelos acessos metálicos e transparentes. Um largo e profundo poço o conduz à superfície totalmente banhada por luz natural. Já pelo lado de fora, quem se aproxima da esquina da Avenida Doutor Gentil de Moura com a Rua Visconde de Pirajá, praticamente intocada pela especulação imobiliária, defronta-se com um cone de vidro: o novo marco do bairro histórico do Ipiranga. Esses elementos compõem a recém-instalada Estação Alto do Ipiranga, planejada para atender a uma demanda diária de 40 mil passageiros e que inaugura uma nova forma de arquitetar o Metrô.

Segundo o arquiteto Ilvio Silva Artioli, chefe do Departamento de Concepção de Arquitetura do Metrô (GCI/CIA) e autor do projeto, a estação Alto do Ipiranga é um ensaio da Linha 4, que adotará os mesmos materiais e modelo construtivo. Até 2010, a Linha 2 - Verde, da qual faz parte a nova estação, ligará a Vila Madalena, na zona Oeste da cidade, à Vila Prudente, na Leste.

Novo conceito visual
Superar limites e inovar o design do Metrô foram as proezas realizadas pelo gaúcho Artioli que, em 22 anos de empresa, projetou e detalhou diversas estações paulistanas. A Alto do Ipiranga foge à regra ao exibir vidro, aço e cores marcantes ao lado do concreto tão característico do metrô de São Paulo. O resultado é uma arquitetura atual, leve e iluminada.

O partido arquitetônico surgiu do método construtivo em poço, que explora a profundidade e não a área do terreno, levando à idéia do cone que, com o decorrer do projeto, foi inclinando para interferir o mínimo possível nas adjacências da estação e evitar desapropriações. Artioli conta ainda que o vidro foi usado em substituição ao concreto para acelerar o prazo de execução, que durou 22 meses. Segundo ele, a etapa de escoramento do processo de concretagem poderia causar atraso na obra.

Ao final, a cúpula de vidro constitui um expressivo elemento arquitetônico que beneficia a estação com luz natural e, em conseqüência, com economia de energia, uma vez que bilheterias e boa parte da circulação vertical se mantêm claras. O vidro também entrou como acabamento de guarda-corpos, e o aço inox nos corrimões, o que suavizou a transição entre o mezanino e a passarela, facilitando a entrada de luz no poço. A ligação entre os pisos intermediários e a plataforma acontece pela passarela metálica, mais uma vez fugindo dos materiais convencionais.

Nas plataformas, a comunicação visual, baseada na iluminação colorida, destaca as formas arredondadas do túnel. Uma metade das paredes é tonalizada pela luz fluorescente, a outra é forrada com placas de laminado que vão do verde ao branco, homenageando o bairro que conta a história da Independência do Brasil. A iluminação geral é pontual, feita por luminárias embutidas ou fixadas no teto ou nas paredes, com lâmpadas economizadoras. No térreo, recorreu-se à vara cênica, para facilitar a manutenção do conjunto.

A exemplo das estações mais antigas, a maior parte das paredes é de concreto aparente protegido por película antipichação. Apenas no hall de entrada, algumas superfícies receberam revestimento cerâmico. Para o piso de todas as áreas da estação, optou-se pelo granito.

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