O passageiro desavisado que desembarca na nova parada da Linha 2 - Verde
do Metrô de São Paulo pode pensar que entrou no cenário
de algum filme futurista. Recebido por paredes arredondadas, ele prossegue
pelos acessos metálicos e transparentes. Um largo e profundo poço
o conduz à superfície totalmente banhada por luz natural.
Já pelo lado de fora, quem se aproxima da esquina da Avenida Doutor
Gentil de Moura com a Rua Visconde de Pirajá, praticamente intocada
pela especulação imobiliária, defronta-se com um
cone de vidro: o novo marco do bairro histórico do Ipiranga. Esses
elementos compõem a recém-instalada Estação
Alto do Ipiranga, planejada para atender a uma demanda diária de
40 mil passageiros e que inaugura uma nova forma de arquitetar o Metrô.
Segundo o arquiteto Ilvio Silva Artioli, chefe do Departamento de Concepção
de Arquitetura do Metrô (GCI/CIA) e autor do projeto, a estação
Alto do Ipiranga é um ensaio da Linha 4, que adotará os
mesmos materiais e modelo construtivo. Até 2010, a Linha 2 - Verde,
da qual faz parte a nova estação, ligará a Vila Madalena,
na zona Oeste da cidade, à Vila Prudente, na Leste.
Novo conceito visual
Superar limites e inovar o design do Metrô foram as proezas realizadas
pelo gaúcho Artioli que, em 22 anos de empresa, projetou e detalhou
diversas estações paulistanas. A Alto do Ipiranga foge à
regra ao exibir vidro, aço e cores marcantes ao lado do concreto
tão característico do metrô de São Paulo. O
resultado é uma arquitetura atual, leve e iluminada.
O partido arquitetônico surgiu do método construtivo em
poço, que explora a profundidade e não a área do
terreno, levando à idéia do cone que, com o decorrer do
projeto, foi inclinando para interferir o mínimo possível
nas adjacências da estação e evitar desapropriações.
Artioli conta ainda que o vidro foi usado em substituição
ao concreto para acelerar o prazo de execução, que durou
22 meses. Segundo ele, a etapa de escoramento do processo de concretagem
poderia causar atraso na obra.
Ao final, a cúpula de vidro constitui um expressivo elemento arquitetônico
que beneficia a estação com luz natural e, em conseqüência,
com economia de energia, uma vez que bilheterias e boa parte da circulação
vertical se mantêm claras. O vidro também entrou como acabamento
de guarda-corpos, e o aço inox nos corrimões, o que suavizou
a transição entre o mezanino e a passarela, facilitando
a entrada de luz no poço. A ligação entre os pisos
intermediários e a plataforma acontece pela passarela metálica,
mais uma vez fugindo dos materiais convencionais.
Nas plataformas, a comunicação visual, baseada na iluminação
colorida, destaca as formas arredondadas do túnel. Uma metade das
paredes é tonalizada pela luz fluorescente, a outra é forrada
com placas de laminado que vão do verde ao branco, homenageando
o bairro que conta a história da Independência do Brasil.
A iluminação geral é pontual, feita por luminárias
embutidas ou fixadas no teto ou nas paredes, com lâmpadas economizadoras.
No térreo, recorreu-se à vara cênica, para facilitar
a manutenção do conjunto.
A exemplo das estações mais antigas, a maior parte das
paredes é de concreto aparente protegido por película antipichação.
Apenas no hall de entrada, algumas superfícies receberam revestimento
cerâmico. Para o piso de todas as áreas da estação,
optou-se pelo granito.
PÁGINAS :: 1 | 2 | Próxima >>