Privilegiar a transparência e derrubar paredes foram alguns dos
recursos usados por Lua e Pedro Nitsche para transformar por completo
a relação de uma casa de veraneio com a praia. Os arquitetos
optaram por separar a estrutura da vedação como forma de
garantir a integração plena entre interior e exterior da
construção, localizada na Praia Preta, em São Sebastião,
litoral Norte de São Paulo.
O desafio começou com a escolha do imóvel: a dupla percorreu
as praias do litoral Norte de São Paulo até encontrar a
casa ideal, localizada a 30 m do mar, na pequena e tranqüila Praia
Preta. Erguida na década de 70 com estrutura de madeira laminada,
a construção exigia uma reforma radical que valorizasse
o sítio onde está inserida. "Hoje é possível
avistar o mar antes mesmo de se entrar na casa", diz Pedro.
Além de privilegiar a transparência nas fachadas, a obra
pôs abaixo paredes que compartimentavam a área social e isolavam
a cozinha. Ambientes de serviço, como despensa e depósito,
ganharam uma disposição longitudinal em planta, de modo
a não obstruir a vista da praia. "Mais do que criar um amplo
espaço de convívio para a família e amigos, alteramos
a relação da casa com a praia", explicam os arquitetos.
O projeto manteve a implantação e a estrutura de madeira
da casa que, ainda assim, sofreu alterações significativas
com a reforma. "Ampliamos a estrutura verticalmente e acrescentamos
uma cobertura nova", explica Lua. O antigo telhado de fibrocimento
foi substituído por outro, de telhas de alumínio do tipo
sanduíche, que paira com leveza sobre o volume arquitetônico.
"Ao levantar a cobertura do 'corpo' da casa, privilegiamos a ventilação
cruzada", complementa a arquiteta.
Essa cobertura "flutuante" da casa da Praia Preta, aliás,
lembra a da casa da Barra do Sahy, também projetada pela dupla
para o litoral Norte de São Paulo. As semelhanças não
param por aí. Em ambas, a separação entre estrutura
e vedação foi usada como recurso para permitir a máxima
abertura das portas de vidro que deslizam em trilhos independentes, fora
da linha dos pilares. Na casa da Praia Preta, o antigo piso de cerâmica
vermelha foi substituído por outro, de Pedra São Tomé,
igualmente empregada na casa da Barra do Sahy.
Tanto em uma, quanto em outra, o acesso aos quartos é feito externamente,
pelas varandas. Na casa da Praia Preta, as portas deslizantes da área
de estar se recolhem num corredor externo à casa, onde se destaca
um deck de madeira ipê com motivos geométricos. O deck, que
fazia parte da construção original, foi preservado pela
reforma – e, inclusive, reproduzido em outras partes da residência,
como no trecho externo à nova suíte. O projeto acrescentou
mais um cômodo à área íntima da casa que, depois
da reforma, passou a contar com quatro quartos.
Conforto térmico
Nos cômodos, o vão formado entre o forro e o telhado permite
a ventilação cruzada, ao mesmo tempo em que abriga as instalações
elétricas e unidades externas (condensadores) dos condicionadores
de ar do tipo split. O telhado permanece aparente na cozinha, sala de
estar e de tv, ambientes que foram integrados com a reforma. "O fechamento
vertical de policarbonato entre a cobertura e o trilho das portas de correr
só ocorre na sala, onde achamos conveniente termos um pé-direito
mais amplo", acrescenta Pedro.
Os arquitetos contam que, inicialmente, haviam cogitado colocar cortinas
nos quartos, assim como fizeram na residência da Barra do Sahy,
onde panos coloridos asseguram a privacidade dos usuários, ao mesmo
tempo em que dão vida à fachada. "Optamos pelas venezianas
a pedido do cliente", diz Lua. Motorizadas, as venezianas de enrolar,
de alumínio, permitem a entrada constante de ar, desde que as portas
de vidro estejam abertas.
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NOVA COBERTURA |
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Após a remoção completa da
cobertura e do forro antigos, a estrutura de madeira laminada foi
prolongada verticalmente. Para isso, foram utilizadas vigas de madeira
itaúba, provenientes de manejo florestal, que foram fixadas
à estrutura antiga com chapas, parafusos e barras roscadas
de aço inox. O acréscimo ergueu a nova cobertura,
composta por telhas de alumínio do tipo sanduíche,
em 1,10 m na cumeeira e 0,9 cm nas extremidades.

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