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PADRÕES REINVENTADOS
A BULLET, AGÊNCIA DE MARKETING E PROMOÇÕES, TOPOU A AVENTURA DA TRIPTYQUE E TEVE OS LIMITES DO ESCRITÓRIO PADRÃO REDEFINIDOS. OS ARQUITETOS TRABALHARAM COM A CRIATIVIDADE, AS BRINCADEIRAS E O EFEITO BRUTO PARA PROPOR NOVAS FORMAS, CORES E MATERIAIS EM UM AMBIENTE DE TRABALHO

POR SIMONE SAYEGH FOTOS FRAN PARENTE




A troupe de arquitetos da Triptyque transformou uma correta cobertura comercial na Vila Olímpia, zona Sul da capital, em um livre e lúdico espaço de criação, com direito a rede de circo e mesa de piquenique para a agência de marketing e promoções Bullet. Com grande liberdade de propor e arriscar alternativas nada ortodoxas, o grupo articulou espaços totalmente integrados, com poucas marcações de limites e zonas. As cabeças por trás do projeto, a brasileira Carolina Bueno, e os franceses Greg Bousquet, Guillaume Sibaud e Olivier Raffaelli evitaram escrever com o vocabulário típico de um espaço de escritórios e acertaram nas aspirações do próprio cliente. "A Bullet quis tentar essa aventura conosco e deixou bem claro sua intenção de romper padrões", explica um dos sócios.

De fato, logo de cara as escolhas mostram ousadia. A mesa de recepção na entrada principal é formada por sacos de areia empilhados, como um bunker (alguma referência ao nome da agência – "bala", em inglês?), dispostos à frente de uma divisória formada por tiras de plástico leitoso branco, aquelas usadas em frigoríficos.

No teto, eletrocalhas, tubulações e ar-condicionado aparentes. "A idéia de definir um desenho inacabado e trabalhar com materiais brutos percorre todo o projeto", explicam os arquitetos. O pensamento construtivo sobre o não-acabado resultou em uma linguagem lúdica e ao mesmo tempo minimalista de projeto. No salão de pé-direito duplo e mezanino os elementos aparentes de construção tornam-se mais fortes. Ainda sem forro, o teto expõe uma profusão de tubulações com suas cores características. O espaço é ladeado por janelões que formam duas faixas paralelas bem iluminadas onde foram localizadas as mesas de trabalho. Sem nenhuma espécie de divisória, as mesas coletivas são formadas por pranchões de madeira sobre blocos de concreto e fazem uma harmoniosa combinação com as antigas cadeiras da agência, agora repaginadas com novas cores. A coletividade também é celebrada em uma mesa de madeira de 4 m de comprimento, totalmente fora das medidas padrões, localizada junto à copa, que serve tanto para reuniões informais quanto para refeições.

Assim como grande parte do mobiliário, as luminárias não foram especificadas em lojas de design. Criadas pelo próprio grupo, são formadas por troncos ocos de madeira que pendem longitudinais às mesas, onde foram embutidos os spots. "A regra do jogo era definir elementos de mobiliário com um custo abaixo do valor de mercado", explicam.

Na faixa central concentram-se os usos que exigem um pouco mais de privacidade, onde se instalam elementos que comunicam a existência de um sutil gradiente de intimidade. Duas salas de exposição de vídeos organizam-se a partir de uma grande estante sinuosa montada com blocos de concreto e prateleiras de madeira. A cada lado do conjunto, uma linha de armários metálicos vermelhos marca os limites do conjunto. Duas pequenas salas de reuniões formam uma ilha isolada pelas divisórias de tiras de plástico transparente e leitoso. O piso elevado revestido de ardósia recebeu 20% de tinta branca e 20% de tinta na cor cinza, de maneira a formar desenhos geométricos que destacam corredores de circulação e caminhos.

Uma escada metálica leva ao mezanino central suspenso por tirantes, não sem antes convidar o visitante a descansar suspenso no ar por uma rede de circo, em meio a almofadas coloridas. A convivência pública ganha forma novamente, dessa vez na pequena praça de acesso do andar, marcada por uma árvore central. O público se dilui em espaços mais privados, até chegar à sala de reuniões, totalmente fechada e única a dispor de mobiliário e elementos comuns a um escritório padrão, como forro e venezianas. "Essa sala foi definida para ser a mais clássica possível, pois recebe clientes de várias culturas e gostos estéticos", explicam. As outras salas ainda dispõem de divisórias atirantadas de vidro encaixilhado e as fluidas tiras de plástico amarelo. O piso de borracha e o guarda-corpo metálico, também amarelo, complementam a estética antiescritório do pavimento. "A soma das criações e improvisações resultou em um espaço com uma grande riqueza de formas, cores e materiais", concluem os quartetos.

 
   
 
 
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