
Arthur de Mattos Casas tirou partido da
linguagem dos painéis arquitetônicos de fachada no showroom
da Ornare, em São Paulo. Além da solução pré-fabricada
de fechamento, o local utilizou também estrutura metálica
e drywall para vedação interna. O resultado, segundo o arquiteto,
remete à industrialização que caracteriza os produtos
oferecidos pela empresa moveleira
Cada vez mais aproveitados como solução para vedação
em empreendimentos comerciais, industriais e até mesmo residenciais,
os painéis arquitetônicos levam às fachadas a estética
derivada da racionalização industrial.
O sistema pré-fabricado substitui a etapa artesanal de vedação,
proporcionando uma obra mais limpa, com menos desperdício e veloz,
segundo atesta o arquiteto Renato Trussardi Paolini, coordenador de projetos
do escritório Aflalo & Gasperini, responsável por empreendimentos
com painéis arquitetônicos - principalmente os de uso
comercial. Ao mesmo tempo, o fato de serem produzidos dentro de uma planta
industrial é visto por muitos especificadores como garantia de
precisão e qualidade. "A utilização dos painéis
flexibiliza o design das fachadas, pois permite ocultar vigas, pilares
e outros elementos estruturais sem preocupação com trincas
e rachaduras tão comuns nas fachadas convencionais", diz a
arquiteta Sara Gusmão Ferreira, do escritório KOM Arquitetura.
Com uso extensivo na Europa e nos Estados Unidos, as placas de concreto
pré-fabricadas para fechamento externo estão presentes no
Brasil desde o início dos anos de 1970. Mas foi há pouco
mais de dez anos que sua utilização adquiriu destaque. No
início os produtos eram pesados e oferecidos com uma única
opção de acabamento - o concreto aparente -
o que limitava suas aplicações. "Nos últimos
anos, porém, houve uma evolução muito grande",
compara o arquiteto João Carlos Graziosi, professor da FAU-Mackenzie
e especificador de sistemas construtivos industrializados. Segundo Graziosi,
um dos avanços mais notáveis foi a redução
do peso dos painéis, sobretudo com a introdução do
concreto reforçado com fibra (GRFC ou Glass Reinforced Concrete).
Paralelamente,
novas opções de acabamento surgiram, como texturas e cores
variadas, superfícies curvas, além da opção
de o painel já sair de fábrica com o revestimento de mármore
ou granito, por exemplo. Além disso, de acordo com Sara Ferreira,
os sistemas de fixação, que em muitos casos significavam
um problema para o acabamento interno, desenvolveram-se e alguns fabricantes
já disponibilizam soluções delgadas e eficientes.
"Todas essas melhorias permitem afirmar que é possível
fazer o que o arquiteto quiser com os painéis arquitetônicos
de fachada", resume Graziosi.
Mas se por um lado a indústria atingiu um estágio apurado
a ponto de solucionar muitas restrições técnicas,
por outro é preciso garantir a acessibilidade dos empreendedores
a tais avanços tecnológicos. Em geral, a flexibilidade é
diretamente proporcional ao custo, já que por se tratar de um produto
industrializado, o preço dos painéis tende a se tornar mais
vantajoso quanto mais repetitivo for o desenho. "Dependendo do projeto
e do cliente, o arquiteto se depara com o desafio de driblar a padronização
e demonstrar criatividade", argumenta Sara.
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