Vidro, sim. Mas com estudos de conforto térmico. Na restauração
do complexo Hines Office – conjunto de edifícios de escritórios
na parte semicentral de Milão, Itália – o escritório
Mario Cucinella Arquitetos resolveu explorar o vidro para proteger e diminuir
o consumo de energia. O projeto foi escolhido em um concurso internacional
promovido pela filial italiana da incorporadora Hines. A região
tem clima temperado e o estudo climático apontou variação
de temperatura de -6ºC no inverno (21 de dezembro) a 19,4ºC
no verão (21 de junho).
O
complexo de 25 mil m² consiste em quatro edificações
das décadas de 1960 e 1970, interligadas entre si por um pátio
interno, que funcionava antigamente como um prédio dos Correios.
Os volumes originais foram mantidos, assim como a funcionalidade e a racionalidade
do layout. A principal intervenção foi o desenvolvimento
da fachada externa do edifício da rua Borgognone, a oeste: duas
camadas de vidro agora protegem os nove andares do edifício, a
uma distância de 60 cm entre cada uma. O sistema adotou placas largas
que correspondem à estrutura modular desse bloco.

Como um escudo, a camada mais externa é constituída por
placas de vidro temperado com um baixo conteúdo de ferro fixadas
por estruturas de metal e expostas diretamente ao sol. Já a camada
interna é formada também por placas de vidro, mas que têm
a função de filtrar a luz solar, diminuindo o impacto do
calor no interior dos edifícios e, conseqüentemente, a necessidade
do uso de sistemas de condicionamentos de ar. A idéia é
oferecer o máximo de conforto térmico no interior dos escritórios,
gastando o mínimo de energia.
Para
o desenvolvimento dessas soluções, foram considerados os
resultados das simulações tridimensionais feitas com o software
Ecotect (desenvolvido pelo professor Andrew Marsh e distribuído
pela Universidade de Cardiff, no Reino Unido), para medir a incidência
da luz solar sobre os edifícios e, assim, determinar as dimensões
e orientações que tais estruturas deveriam obedecer para
proteger o interior do prédio da intensidade térmica, tanto
no verão quanto no inverno. Os resultados dos testes determinaram
a opção pela fachada de vidro dupla e para uma cobertura
parcial no pátio interno, com finas camadas de vidro e metal que
formam um pano hiperbólico por onde a água da chuva escorre.
Essa cobertura do pátio faz também a ligação
entre os vãos de entrada dos quatro edifícios do complexo
e trabalha para não permitir o superaquecimento do pátio
no verão além de favorecer a ventilação noturna.
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Cada decisão de
design foi tomada para redução do consumo de energia
e a integração de todas (pele dupla, vidro especial,
insolação, sistema de resfriamento) resultou em um
consumo de 145 kW/m² no edifício – enquanto um
projeto do mesmo tamanho, usando materiais convencionais, teria
um consumo energético de 280 kW/m².

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Outra solução adotada, dessa vez para a produção
de energia, foi a instalação de uma cobertura fotovoltaica
em um dos prédios para a transformação da energia
solar em energia elétrica. A estrutura foi financiada pela região
de Lombardia, na Itália, como parte do incentivo chamado "10.000
photovoltaic roofs" (10 mil telhados fotovoltaicos). Em 2005, o MCA
Mario Cucinella Architects recebeu por esse e outros projetos o Energy
Performance + Architecture Awards, concedido pela Reed Expositions a obras
que apresentam soluções energéticas econômicas
em seus projetos arquitetônicos.