Cinco dias intensos de conferências marcaram a décima
primeira edição da Bienal de Buenos Aires, na capital argentina,
que aconteceu de 19 a 23 de setembro no Centro Cultural Borges. O evento
portenho, destacado como um dos mais importantes no mundo, contou com
a presença de nomes como José Maria Lozano (Espanha), Josep
Maria Botey (Espanha), Julio Maria Sanguinetti (Uruguai), Rafael de La-Hoz
(Espanha), Enrique Browne (Chile), Solano Benitez (Paraguai), Luigi Snozzi
(Suíça), Franco Purini (Itália) e Alejandro Aravena
(Chile). O argentino radicado nos Estados Unidos, Cesar Pelli, abriu oficialmente
a Bienal no segundo dia do evento, com o auditório cheio. A presença
brasileira foi marcada pelas conferências de Indio da Costa, Carlos
Bratke, Arthur Casas, Ruy Ohtake e Paulo Mendes da Rocha.
Além das conferências – apenas para inscrições
pagas – a Bienal abriu as portas para quem quisesse prestigiar as
exposições. Foram três espaços dedicados às
obras nacionais e internacionais, além de uma sala com a HEX, de
projetos e vídeos com trabalhos de jovens arquitetos argentinos,
que teve curadoria de Florencia Rodriguez.
Brasil em Buenos Aires
A presença brasileira foi uma das maiores na exposição
internacional, com projetos e totens especiais do IAB em parceria com
a ArchTile Brasil, que mostrava o uso de revestimento cerâmico na
arquitetura. Estavam expostas obras como o Museu da Língua Portuguesa
(Paulo e Pedro Mendes da Rocha), o E-Tower (Aflalo & Gasperini), o
hotel Unique (Ruy Ohtake), o Mercado Municipal de São Paulo (Pedro
Paulo de Melo Saraiva), todas em São Paulo; o Fórum de Cuiabá
(Marcelo Suzuki) e o Museu Rodin de Salvador (Francisco Fanucci e Marcelo
Ferraz).
O projeto do novo urbanismo de Pedra Branca, em Palhoça, Santa
Catarina, também mereceu destaque – levou até uma
das láureas na premiação final, como destaque de
investimento. O projeto tem coordenação geral de Maximo
Rumis e Marcela Leiva (da DPZ Latin America), além de Silvia Lenzi
e Jaime Lerner. A proposta é criar um centro misto e de alta densidade
que, dentro de 15 anos chegue a albergar 30 mil pessoas em uma área
de 180 mil m2 com comércio e serviços, dentro do conceito
do novo urbanismo. O empreendimento é concentrado em dois núcleos,
cada um deles projetado de maneira que permita aos moradores um acesso
rápido ao centro com distâncias que possam ser percorridas
a pé. A arquitetura do bairro irá seguir os padrões
do Leed (Leadership in Energy and Environmental Design). O paisagismo
é de Benedito Abbud e as edificações estão
sob responsabilidade de nove escritórios: Jaime Lerner Arquitetos
Associados, Desenho Alternativo, Mantovani e Rita, Marchetti+Bonetti,
MOS Arquitetos Associados, RC Arquitetura, Ruschell e Teixeira Neto, Studio
Domo e Vigliecca & Associados.
Arquitetura na berlinda
Como era de se esperar, o fazer arquitetônico foi a pauta de muitas
conferências, que foram mais além do que simplesmente mostrar
rapidamente uma série de projetos.
Entre os temas mais polêmicos, destacam-se os principais problemas
da arquitetura hoje, a discussão da arquitetura com a sociedade
e a arquitetura-espetáculo. A primeira conferência da Bienal,
por exemplo, foi realizada pelo espanhol José María Lozano
que instigou o público: "Estou cansado, como acadêmico
e como profissional de arquitetura, desse chamado minimalismo, e disso
que as pessoas têm chamado de pós-modernismo do momento,
desse tudo vale". Assim, trouxe à tona a discussão
sobre qual seria a prática ideal para arquitetura: uma mais leve,
que esteja perto do usuário, ou a arquitetura heróica que,
em sua opinião, está longe da sociedade? "É
preciso encontrar a razão entre a vanguarda arquitetônica
e a sociedade", disse.
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