Convidamos arquitetos e personalidades do Brasil e do exterior
para dar seu depoimento sobre a obra e vida de Niemeyer - o resultado
pode ser visto nas páginas desta edição, com participação
de Lelé, Acácio Gil Borsói, Sir Normal Foster,
Christian de Portzamparc, Massimiliano Fuksas, Ferreira Gullar, entre
outros. Os leitores e internautas também podem dar sua opinião
no site de AU, dentro do fórum Fato & Opinião deste
mês.
"Oscar Niemeyer é um poeta do espaço,
um arquiteto-escultor que pensa e organiza o espaço habitado num
diálogo fecundo com a natureza. A curva, a ondulação,
o côncavo e o convexo, tudo isso faz parte de seus desenhos. É
como se a sinuosidade da natureza fosse repensada e reinventada pelos
traços do arquiteto, cujo pensamento ou concepção
da arte nunca separa o ser humano do ambiente em que vive. A ousadia da
forma parece desafiar a engenharia e o cálculo estrutural, mas
é essa ousadia que dá a seus projetos um sentido plástico
singular na arquitetura do século 20."
Milton Hatoum, escritor
"Oscar Niemeyer, em 1943, ao projetar o conjunto da Pampulha, assombrava
o mundo e iniciava a bonita trajetória de uma arquitetura inovadora
e peculiar. Hoje, aos 100 anos de idade, continua produzindo. Procura
atender a convites que vêm de todas as partes do mundo. Sempre novos
desafios que o gênio de Niemeyer desenha com incrível rapidez.
Simplicidade de solução que se funde à beleza surpreendente."
Ruy Ohtake, arquiteto
"Se é certo - como acredito - que nós, homens,
inventamos a vida, o mundo imaginário em que habitamos, Oscar Niemeyer
é um dos que mais contribuíram para isso, inventando uma arquitetura que
parece nascida do sonho e, com isso, nos ajuda a viver."
Ferreira Gullar, poeta e escritor
"Oscar é um dos grandes gênios do nosso tempo. Sua incrível
capacidade de criação não se apóia em teorias nem na estética vigente,
mas na intuição, na lógica da natureza, no instinto das mentes privilegiadas
dos gênios. Por isso, sua obra é capaz de emocionar qualquer ser humano,
independentemente de sua formação intelectual ou categoria social. As
colunas do Palácio da Alvorada, por exemplo, causaram tão forte impressão
em André Malraux que ele comparou sua contribuição à arquitetura a das
colunas gregas. Mas elas foram igualmente absorvidas e estilizadas pelo
povo em geral - seu desenho pode ser observado em toda parte e continua
a ser utilizado como símbolo da nova capital."
João Filgueiras Lima, Lelé, arquiteto
"Oscar, quando me formei em 1949 pela Faculdade
Nacional de Arquitetura, você representava o símbolo e expressão
da arquitetura brasileira.
Hoje, quando completa cem anos, continua sendo. Parabéns."
Acácio Gil Borsoi, arquiteto
"Oscar Niemeyer tem o raro talento da longevidade criativa e intelectual,
o que representa muito mais do que o feito já notável de
completar 100 anos e em atividade. Niemeyer construiu um percurso baseado
na especulação da visibilidade das estruturas e das formas,
em sua relação com a espacialidade, e sobre ele abriu uma
porta que ao que parece jamais será fechada. Sua importância
para a história da arquitetura moderna já está talvez
sublimada pela influência que seu trabalho exerceu na própria
arquitetura contemporânea, com paralelo identificável, talvez
somente em Le Corbusier e Mies Van Der Röhe. Certa vez, Chico Buarque
de Holanda ao falar de sua obra musical, disse que esta já era
uma obra pronta e só o que poderia fazer era reelaborá-la.
Com sua frenética atividade ainda nos perguntamos: será
que Oscar já completou a sua?"
Francisco Spadoni, arquiteto
"Um dia, comecei a ver o mundo a cada instante
de um modo diferente. O que fazer? Tornar-me um sonhador ativo? Um arquiteto
brasileiro? Como para muitos, Oscar Niemeyer me abriu os olhos. Ele mostrou
como a arquitetura poderia, apurando-se, aliar no mais alto nível o racional
e o sensível, o rigor e a forma."
Christian de Portzamparc, arquiteto

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