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Edição166 | Janeiro/2008
Exercício Profissional
COMO CONTRATAR PROJETOS COMPLEMENTARES POR GISELE C. CICHINELLI
Com exceção da etapa de concepção e do
estudo de viabilidade, a contratação de serviços
complementares e consultorias tem se tornado prática comum entre
os escritórios de arquitetura. "Costumamos recorrer a parceiros
arquitetos quando não conseguimos atender à demanda de projetos
ou quando sabemos que ele já teve experiência com alguma
especificidade de projeto com a qual não temos tanta experiência",
explica Artur Jorge de Deus Lé, diretor-administrativo do escritório
Anastassiadis Arquitetos. Entretanto, alguns cuidados são importantes
para que o compromisso estabelecido com o cliente final, a identidade
do projeto, e as responsabilidades inerentes ao serviço contratado
não sejam abandonados no meio do caminho. "Já trabalhamos
como gerenciadora: a responsabilidade dos projetos complementares, além
dos de arquitetura, caía sobre nós, incluindo erros e acertos
dos parceiros", conta Marta da Silva Ardito, arquiteta sócia-diretora
do escritório Agres Arquitetura, que complementa: "Isso traz
uma responsabilidade a mais para o escritório de arquitetura pois
demanda a checagem minuciosa do trabalho dos parceiros. E para isso é
necessário qualificar o escritório para um trabalho a mais".
Confira as principais dicas de arquitetos e advogados para evitar problemas
durante essa etapa.
Quando contratar
Algumas obras envolvem diferentes especialidades e, dependendo da necessidade
e do escopo solicitado pelo cliente, os escritórios de arquitetura
deverão se responsabilizar por uma série de projetos complementares.
Os mais comuns são os de elétrica, hidráulica, estrutura,
conforto térmico e acústico, luminotécnica e paisagismo.
"O mais usual é terceirizarmos ou contratarmos um outro escritório
para as fases de projeto executivo e detalhamento", explica Artur Lé,
do Anastassiadis Arquitetos. "Muitas vezes nosso cliente não
sabe que terceirizamos alguma fase de produção, mas não
vemos problemas em falar, se for conveniente."
Especialistas
Os projetos complementares freqüentemente desdobram-se em outros. O
projeto de elétrica, por exemplo, pode incluir itens como telefonia,
dados, voz, aterramento, proteção contra raios, redes estabilizadas
e automação. Os de hidráulica incluem reúso
de água, pressurização, redes de hidrantes, sprinklers,
água quente e energia solar para aquecimento de água, enquanto
um projeto de estrutura pode abranger fundações, reforço
estrutural, estrutura mista, fôrma-laje (steel deck), steel frame,
estrutura metálica etc. "Há cada vez mais especialistas
envolvidos nos projetos", ressalta Fernando Pinheiro, arquiteto titular
da Lima Pinheiro Arquitetos e vice-presidente da AsBEA. Entretanto, vale
lembrar: o gerenciamento desses projetistas e as devidas compatibilizações
serão feitas pelo escritório principal.
Terceirização de projetos
Outro recurso adotado pelos escritórios de arquitetura é recorrer
à terceirização de parte da produção
do projeto. A contratação de projetistas para desenvolver
maquetes eletrônicas, detalhamentos construtivos e para aprovação
de projetos em órgãos públicos, entre outras demandas,
é uma boa solução para diminuir custos fixos, agilizar
processos e aumentar a produtividade e a qualidade final. "Costumamos
terceirizar as fases de projeto executivo e de detalhamento", conta
Artur Jorge de Deus Lé. Mas, independentemente de qual fase de desenvolvimento
do projeto for terceirizada, o ideal é buscar parcerias capazes de
manter os mesmos padrões de qualidade dos serviços prestados
pelo escritório.
Referência
Confiança e competência são dois quesitos fundamentais
na hora de contratar os serviços de um projetista. Uma dica importante
é contar com profissionais referenciados por outros contratantes.
O ideal é conhecer bem a especialidade dos escritórios a serem
contratados e os projetos já executados por essas empresas. A afinidade
entre arquitetos e projetistas é um dos ingredientes principais para
uma parceria duradoura. "Já contratamos profissionais indicados
pelo próprio cliente, mas, em geral, isso dificulta o controle sobre
o trabalho", revela Artur Lé.
Definição do escopo
Definida a contratação dos projetos complementares, o próximo
passo será estabelecer claramente o escopo dos serviços que
serão prestados pelos contratados. Os itens de projetos, número
de desenhos, escalas de detalhamento, nível de especificação
exigido, padrões, normas e legislação que devem ser
respeitados, além dos compromissos e prazos a serem cumpridos deverão
ser muito bem esclarecidos entre as partes envolvidas. Outra dica valiosa
para que a parceria seja bem-sucedida é definir claramente a hierarquia
a ser seguida - tanto dentro do escritório contratante, quanto
em relação ao cliente final.
Contratos
Elaborar contratos, de preferência com a orientação
e revisão de um escritório de advocacia, é uma maneira
segura de evitar futuros problemas. Os contratos devem trazer os pontos
principais, como escopo e responsabilidades definidas; abrangência
do contrato quanto ao número de revisões; valores e critérios
dos extras de projeto; forma de pagamento e vínculo de pagamentos
a entregas de fases de projeto; critérios de rescisão de contrato
e a fixação de prazos coerentes, entre outros itens.