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Edição166 | Janeiro/2008
Exercício Profissional
COMO CONTRATAR PROJETOS COMPLEMENTARES POR GISELE C. CICHINELLI
Especificações técnicas
De acordo com Márcia Martins e Helson de Castro, sócios do
escritório Paradeda Castro Duarte Martins Advogados, é recomendado
que o contrato preveja que as especificações técnicas
constem no caderno de especificações - o que inclui
todas as condições de execução e padrões
utilizados para o desenvolvimento do projeto. "Podendo as partes acordar
que sua validade também dependerá da aprovação
expressa do cliente", lembram os advogados. Também é
importante que o gerenciamento e as especificações técnicas
sejam detalhados ao máximo no contrato, de modo a delimitar as responsabilidades
e competências de cada profissional. "Caso não estejam
compreendidas no preço do projeto, o ideal é que se determine
um valor adicional para as atividades que extrapolarem os limites contratuais",
conclui Márcia.
Gerenciamento de informações
O dia-a-dia de um projeto tende a ser bem melhor quando há boas relações
de trabalho. Por isso, é importante deixar claro desde o início
quais são as expectativas em relação ao serviço
a ser contratado. Outro ponto crucial, segundo a arquiteta Marta da Silva
Ardito, sócia-diretora do escritório Agres Arquitetura, é
garantir o bom fluxo de informações com um eficiente gerenciamento
de arquivos de desenho, atas e relatórios. "Os documentos devem
ser disponibilizados para todos os envolvidos no projeto", ressalta
a arquiteta.
Prazos e preços
Na hora de fechar a parceria, é bom certificar-se de que os prazos
serão atendidos. "O mercado atual está muito aquecido
e, nessa condição, não só os valores dos projetos
elevaram-se, como os prazos de entrega foram esticados", conta Artur
Lé. Uma boa dica para mensurar se o contratante será ou não
capaz de cumpri-los é conhecer a estrutura oferecida pelo escritório.
Antes de bater o martelo, recomenda-se sempre comparar os preços
dos projetos. "Desconfie de ofertas muito baixas", alerta o arquiteto.
Evite a pressa
Em geral, a pressa é uma das maiores inimigas do bom projeto. A urgência
implicará abandono dos critérios corretos de contratação.
Além disso, prazos curtos exigem a liberação dos projetos
para os contratados com muitas indefinições, gerando retrabalho
e prejudicando o cronograma previsto.
Alterações
Caso não estejam previamente previstas, as modificações
de projetos certamente serão uma das principais causas de divergências
entre o arquiteto e o colaborador. Problemas com prazos de entrega ou com
cobranças extras em função de alterações
de projeto são muito comuns. De acordo com Fernando Pinheiro, uma
maneira de evitá-los é determinar um índice de remuneração
por metro quadrado de projeto a ser modificado, por prancha de desenho,
por arquivo de projeto ou, o mais indicado, por valor de hora técnica.
Como uma orquestra
Grandes erros podem ser cometidos se o escopo não estiver claro,
o prazo e as condições de remuneração, bem estabelecidos
e os procedimentos para possíveis modificações de projeto,
bem definidos. Detalhe importante: o papel do arquiteto principal é
semelhante ao do regente de uma orquestra. Caberá a ele proporcionar
uma boa interação entre a equipe, acompanhando de perto o
desenvolvimento do contratado para garantir o resultado frente às
necessidades do cliente final.
Dicas importantes
Certifique-se de que a proposta foi perfeitamente
compreendida pelo projetista; Faça um checklist,
verifique e valide cada entrega feita pelos projetistas contratados;
Mantenha uma atualização dos documentos relacionados
entre os envolvidos; Elabore contratos revisados por escritórios
de advocacia; Estabeleça um cronograma de entregas
entre as partes
Fonte: Marta da Silva Ardito, arquiteta sócia-diretora do escritório
Agres Arquitetura