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Brasil

7ª BIENAL INTERNACIONAL DE ARQUITETURA DE SP
REFLEXOS DA MOSTRA
A ARQUITETURA BRASILEIRA TEM ORGANIZAÇÃO POLÍTICA, ISENÇÃO, DINHEIRO E PRODUÇÃO CONSISTENTE PARA A REALIZAÇÃO DE UMA EXPOSIÇÃO INTERNACIONAL DE ARQUITETURA A CADA DOIS ANOS?

POR SIMONE SAYEGH FOTOS MARCELO SCANDAROLI



Arquitetura: o Público e o Privado

Por Mônica Junqueira de Camargo

Para quem até meados do ano não sabia se a Bienal iria ou não se realizar, a abertura de sua sétima edição em 10 de novembro já pode ser considerada uma vitória.

Os inúmeros atropelos que sofreu esta mostra quase a inviabilizaram. Quando a batalha parecia perdida, o entusiasmo e a perseverança de alguns poucos arquitetos conseguiram reverter o quadro. Enfrentaram as animosidades e angariaram recursos a tempo de viabilizar a exposição. Parabéns ao empenho daqueles que estiveram à frente.

O prédio da Bienal e o projeto expográfico, em se tratando de uma mostra de arquitetura, assumem condição privilegiada, pois são os únicos de fato arquitetônicos, enquanto todas as outras obras estão apenas representadas por imagens e maquetes. O projeto de André Vainer e Guilherme Paoliello soube valorizar o edifício, que é um dos mais belos exemplares de Niemeyer, tirando proveito da sua incrível espacialidade, o que resultou numa exposição muito agradável. Considerando o centenário de seu autor e que em sua homenagem lhe foi reservada uma área especial, o próprio edifício poderia ter sido melhor explorado enquanto objeto da sua mostra, pelas razões já expostas.

Superado o impacto causado pela concentração dos espaços publicitários no andar térreo - um susto para o visitante - percorre-se a exposição tranqüilamente, livre das interferências publicitárias, o que é um grande ganho. Enquanto nosso sistema não entender que o que deve ser patrocinado é a boa arquitetura, que a escolha dos materiais é uma decorrência dos projetos, e enquanto continuarmos dependentes do seu apoio, o isolamento e a concentração das suas participações parecem a melhor saída, pelo menos explícita, não se confundindo com as obras apresentadas, como nos anos anteriores, em que espaços nobres foram ocupados por estandes publicitários.

Ainda no âmbito da estratégia expositiva, vale destacar algumas iniciativas que exigem do visitante uma maior aproximação ao objeto apresentado, proporcionando uma condição mais favorável a sua concentração. É o caso da sala do arquiteto chileno Alejandro Aravena, onde a visualização dos trabalhos é feita com binóculos; da representação da Suíça, com fones individuais para cada depoimento; da Alemanha, em que as "malas" criam pequenos espaços, porém específicos para cada arquiteto que expôs duas obras, uma no próprio país e outra no exterior.

Quanto à orientação dada à seleção das obras, não há dúvida de que a maneira equivocada como tem sido trabalhada, no contexto paulistano, a relação entre público e privado, questão desde sempre presente na investigação arquitetônica, em que cada época procurou respostas frente aos problemas enfrentados, provocou a escolha do tema O público e o privado. Uma opção quase pragmática, sem apelo a reflexões mais profundas sobre o futuro da arquitetura. Adentramos aqui no problema que nos parece crucial: a curadoria.

Enquanto nas exposições de artes a curadoria adquiriu um papel superlativo, disputando a atenção com as obras de arte - em alguns casos chegando a sobrepô-las, como parece ser a orientação para a próxima Bienal de São Paulo -, nas de arquitetura a curadoria tem atuado de maneira muito tímida. Aos curadores tem sido delegada a organização do evento e deve-se a eles, é importante registrar, a sua viabilização.

Contudo, a questão é de outra natureza, que envolve a própria compreensão do significado de uma exposição internacional no período de dois anos. O tema, responsável pelo caráter da mostra, deverá, com base nas inquietações do momento, apontar rumos para o futuro. Acredito ser papel de uma Bienal algo mais do que a apresentação daquilo que se está a fazer no mundo da arquitetura. Levantar questões e suscitar o debate nos parece mais importante para o avanço das idéias.

Diante da quantidade e da diversidade da produção atual, a seleção de determinadas obras em detrimento de outras adquire um significado que, necessariamente, precisa ser explicitado. O que parece equivocado é deixar transparecer que todas as obras expostas são aquelas com mais pertinências às questões levantadas pelo tema O público e o privado. Independentemente da qualidade arquitetônica dos projetos apresentados, colocar lado a lado um chalé no campo e um projeto de reurbanização de uma complexa área metropolitana, sem qualquer explicação, ou melhor, sob o pretexto da discussão entre público e privado, enfraquece qualquer possibilidade de debate.

A mostra da representação da Suíça é exemplar nesse sentido. Articulou com muita perspicácia a problemática lançada com obras de distintas escalas, deixando claro logo no painel de apresentação que "a paisagem cultural suíça, como espaço público, está se tornando cada vez mais urbanizada. Arch/Scapes considera o público como a essência da paisagem cultural suíça. O privado é o objeto construído e se concentra na nova arquitetura suíça". Todos os depoimentos que acompanham os projetos apresentados remetem necessariamente ao tema.

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