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Brasil

7ª BIENAL INTERNACIONAL DE ARQUITETURA DE SP
REFLEXOS DA MOSTRA
A ARQUITETURA BRASILEIRA TEM ORGANIZAÇÃO POLÍTICA, ISENÇÃO, DINHEIRO E PRODUÇÃO CONSISTENTE PARA A REALIZAÇÃO DE UMA EXPOSIÇÃO INTERNACIONAL DE ARQUITETURA A CADA DOIS ANOS?

POR SIMONE SAYEGH FOTOS MARCELO SCANDAROLI



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Pelo fato de ter atingido com certa regularidade, e mesmo que aos trancos e barrancos, sua sétima edição, pode-se dizer que a Bienal Internacional de Arquitetura de São Paulo está consolidada, o que nos impõe que pensemos a próxima com um olhar mais crítico sobre as experiências anteriores, especialmente sobre aquelas que nos permitam refletir sobre os aspectos negativos, porque o que é bom assimila-se com facilidade. A criação, no âmbito do IAB, de uma comissão permanente para se pensar a Bienal, que teve origem numa proposta do arquiteto Luis Fisberg, curador da 3a BIA, é um dos fatos mais relevantes para sua evolução.

Uma vez instituída a prática, cabe pensar, em especial para a exposição geral dos arquitetos, em critérios mais aperfeiçoados que resultem na seleção de um número menor de trabalhos, embora mais expressivos, de modo a constituir, de fato, uma síntese.

A leitura das obras arquitetônicas, por se tratar de representações, consome mais tempo do que as artes visuais. Relacionar as plantas com os cortes e as fotografias e desenhos, as maquetes, os depoimentos, demandam atenção e concentração. Para o público leigo é um grande esforço.

A garantia de periodicidade da mostra legitima uma seleção mais pertinente ao tema e maior abertura a especulações: ora, mesmo sem nenhuma obra com certa dose de provocação, o que normalmente se espera de um evento desses (pelo contrário, paira a sensação de calmaria, de já visto, posto que a maioria já foi publicada), ainda assim há uma considerável melhora na qualidade média dos trabalhos apresentados.

Se for possível alguma relação entre as diversas obras, esta se encontra no enfrentamento das condições reais, verificando-se como o grande desafio as intervenções em situações urbanas já consolidadas, na busca de superar situações cada vez mais imbricadas. Alta dose de realismo pareceu ser o tom da mostra.

O Museu Rodin na Bahia, instalado num antigo solar eclético com um novo anexo, dos arquitetos Francisco Fanucci e Marcelo Ferraz - 1º Prêmio para obra realizada -, é de inquestionável qualidade arquitetônica. Porém, guarda uma investigação mais profícua ao debate das questões de patrimônio e restauro do que ao tema da exposição. O segundo lugar, Programa Praça Escola, uma parceria da Prefeitura de Nova Iguaçu com os arquitetos Washington Fajardo, Adriana Sansão Fontes, Pedro Évora e Raul Bueno A. Silva, confirma a dimensão realista da mostra. Essas pequenas intervenções pontuais visam resgatar a qualidade de espaços públicos e se contrapõem à espetacularização que comanda hoje a contratação de projetos.

Naturalmente não surpreende que os projetos vencedores sejam, enquanto proposta, os de maior relevância para a discussão do tema. O primeiro lugar, também vencedor do concurso público Prestes Maia, em 2006 (vale lembrar, protestado pelo IAB-SP), é a proposta já bastante divulgada dos arquitetos José Eduardo Nascimento de Souza Alves e Juliana Corradini para a revitalização da área envoltória do elevado Costa e Silva, que retoma a discussão de uma das obras mais polêmicas de São Paulo, responsável pela deterioração de extensa área do centro metropolitano como justificativa para a solução de tráfego de veículos particulares.

O segundo lugar, ainda de maior complexidade, é o projeto dos arquitetos Fernanda Barbara, Cristiane Muniz, Fabio Valentim e Fernando Viegas, já publicado no livro Coletivo, para a região fabril da Mooca-Ipiranga, envolvendo questões de transporte, patrimônio, área verde, habitação, adensamento e desenho urbano. Se implantada, a proposta poderá ser o embrião de profundas transformações na área do desenvolvimento urbano, tanto no plano das idéias quanto na prática.

Não deixa de ser sintomática a carência de propostas investigativas. As poucas inscrições, apenas seis, na categoria Projetos Propositivos/Conceituais, e a recusa em premiar um dos inscritos comprova a falta de interesse da organização em atrair propostas especulativas. Segundo o júri, nenhum deles promoveria uma "reflexão profunda do pensamento arquitetural", o que é surpreendente, pois deveria ser este e não outro o objetivo da exposição.

Mônica Junqueira de Camargo é arquiteta, professora doutora da FAUUSP e autora de Fábio Penteado: ensaios de Arquitetura e de Joaquim Guedes. Foi curadora das salas especiais de Oswaldo Bratke na 3ª BIA, de Fábio Penteado na 4ª BIA e de Carlos Millan na 6ª BIA.

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