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Brasil

7ª BIENAL INTERNACIONAL DE ARQUITETURA DE SP
REFLEXOS DA MOSTRA
A ARQUITETURA BRASILEIRA TEM ORGANIZAÇÃO POLÍTICA, ISENÇÃO, DINHEIRO E PRODUÇÃO CONSISTENTE PARA A REALIZAÇÃO DE UMA EXPOSIÇÃO INTERNACIONAL DE ARQUITETURA A CADA DOIS ANOS?

POR SIMONE SAYEGH FOTOS MARCELO SCANDAROLI



QUAL A FUNÇÃO DA BIENAL?

POR RENATO ANELLI

É bom termos Bienal Internacional de Arquitetura a cada dois anos, pois nos força parar para pensar sobre a arquitetura de tempo em tempo. Todavia, gostaria de inverter esse pensamento e refletir sobre a contribuição da BIA para a arquitetura contemporânea.

O questionamento se inicia pela sua relação com Fundação Bienal de São Paulo. Até que ponto a 7ª BIA passaria imune à crise institucional da Fundação?

O início efetivo dos trabalhos de organização foi postergado até o limite, ocorrendo apenas em junho. Um assunto que o IAB deveria trazer a público, para que os visitantes da BIA soubessem das condições extremas de sua produção.

São condições institucionais que precedem qualquer debate arquitetônico: como podemos conceber e realizar um evento cultural dessa importância sem que esteja consolidada a periodicidade bienal, a área do edifício a ser ocupada e a divisão de atribuições entre IAB e Fundação. Dito isso, a primeira impressão desta edição é positiva, causada pelo projeto expográfico arejado, transparente, que permite a percepção do edifício. É um tamanho compatível com a disponibilidade de informações que um visitante pode enfrentar em um dia de visita e também àquilo que está ao alcance de ser produzido pelos arquitetos em dois anos.

A estrutura da BIA parece estar consolidada há algumas edições: exposição geral, salas de convidados brasileiros e estrangeiros, representações nacionais, concursos de escolas, fórum de debates, exposições históricas, representação institucional e área de patrocinadores. Não parece haver mais espaço para que o curador proponha outra estrutura, mesmo se houvesse tempo. Isso reduz o papel da curadoria, que deveria partir de propostas que atualizem a BIA a cada edição. Uma atualização cada vez mais necessária, pois já faz tempo que a exposição não supre a deficiência de informação ou de reflexões conceituais consistentes. Revistas, sites, periódicos acadêmicos e livros circulam rapidamente tudo o que se produz. Então, qual o sentido e a especificidade de um esforço desses? Esse deveria ser o ponto de partida da curadoria, elaborado com prazos confortáveis para que haja debates e as exposições sejam planejadas especialmente para a mostra. Em outros momentos, exposições como a 7ª BIA contribuíram para renovações da arquitetura. Seu auge foi na década de 1950, quando o interesse internacional pela produção brasileira transformou tais mostras em focos do debate da arquitetura moderna no pós-guerra.

Situação da qual estamos cada vez mais distantes, pois a atual presença estrangeira nesta BIA parece ter outros objetivos, aparentemente pautada pelo interesse da economia internacional pelo Brasil no âmbito dos emergentes BRICS.

O caso mais explícito é a exposição Ready for take-off que usa um momento cultural para fazer a promoção comercial da sua "Arquitetura Alemã de Exportação". Seleção de obras, forma de exposição e uma polêmica apresentação do seu curador no Fórum de Debates expressam uma visão na qual a internacionalização da cultura é um momento de ampliação de mercados para produtos e serviços.

O interesse pelo Brasil parece não ocorrer mais pela sua arquitetura, mas pela possibilidade de nos tornarmos um forte centro consumidor. Deixamos de ser vistos como um produtor respeitado, com o qual se poderia debater em pé de igualdade os caminhos da arquitetura. No pólo político oposto, a África do Sul resume o tema Público e privado da BIA à sua relação essencial: fotos de seus espaços públicos paupérrimos e de condomínios privados ricos, com destaque para a propaganda das empresas de segurança, essenciais para a manutenção desse status quo. A arquitetura torna-se um mero supérfluo de uma condição social e política com grandes semelhanças à nossa.

A única reação consistente não seria arquitetônica mas, sim, de denúncia política.

Um equacionamento que restringe qualquer campo de discussão e ação. Em um dos momentos polêmicos do Fórum de Debates, a sua explicitação se exprimiu na já batida oposição de arquitetura de mercado (de direita) contra a pública (de esquerda). Nada mais inútil para entendermos a complexa situação da arquitetura contemporânea no Brasil, que não pode mais ser enquadrada em polarizações redutoras como essa.

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