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Brasil

7ª BIENAL INTERNACIONAL DE ARQUITETURA DE SP
REFLEXOS DA MOSTRA
A ARQUITETURA BRASILEIRA TEM ORGANIZAÇÃO POLÍTICA, ISENÇÃO, DINHEIRO E PRODUÇÃO CONSISTENTE PARA A REALIZAÇÃO DE UMA EXPOSIÇÃO INTERNACIONAL DE ARQUITETURA A CADA DOIS ANOS?

POR SIMONE SAYEGH FOTOS MARCELO SCANDAROLI



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Alguns fatos novos embaralham esses esquemas explicativos e poderiam se transformar em temas centrais de discussão.

Por exemplo, a explosão do mercado imobiliário para as classes de menor poder aquisitivo é um fenômeno frente ao qual os arquitetos parecem passar ao largo. Lembremos que a produção habitacional de massa e de qualidade mobilizou as vanguardas européias no entre-guerras e foi uma das bases do melhor da arquitetura moderna. No Brasil, os programas de habitação popular tiveram importância, e estudos recuperam a qualidade arquitetônica de grande parte dessa produção. Então o que mantém esse mercado alijado de arquitetura de qualidade?

Outro exemplo é a interdependência entre Estado e empresas de consultoria de projeto, muitas delas na forma de ONGs, que borra os limites dos interesses públicos e privado. Condição que pôde ser constatada nos vários estandes de instituições públicas do andar térreo da BIA. Reconheçamos que se trata de um mercado de atuação privilegiado e altamente disputado por empresas privadas, sem o qual não se age no espaço público.

Os dois exemplos sugerem que os esquemas cristalizados pelos quais nos representávamos até pouco tempo não são mais suficientes para entendermos as condições de produção da arquitetura no Brasil.

Considero que a principal função social da BIA é forçar um encontro com data marcada, para o qual os arquitetos e suas instituições se preparem ao longo de dois anos. Esse encontro deveria pensar desde as condições econômicas e sociais de produção da arquitetura até os critérios com os quais sinaliza para a sociedade aquilo que é bom e aquilo que não o é na nossa área. Alguma relação deve haver entre a qualidade da arquitetura e as condições concretas da sua produção.

Enquanto não fazemos isso, outros o fazem e aí não vale reclamar nem dos profissionais de marketing que definem os parâmetros de qualidade para o mercado imobiliário, nem dos estilos neoclássicos que seduzem um grande segmento de novos-ricos, nem das concorrências por menor preço que vilipendiam a produção pública.

Já foi explicitado por outros autores o dilema da BIA, entre ser um espaço de representação profissional corporativa e ser um evento de cultura. Preponderasse a primeira opção, teríamos de discutir a sua representatividade. Prevalecendo a segunda, a curadoria deveria ser incrementada. Promovida pelo IAB, a BIA vem se equilibrando entre ambas. Os problemas desse caminho não são poucos e a principal fragilidade é a espantosa disparidade de qualidade na produção brasileira selecionada para a exposição.

Contudo, a ocorrência da BIA deve ser saudada sempre, pois nos força a refletir enquanto percorremos suas exposições e assistimos aos seus debates. Que possamos superar as atuais limitações até 2009.

Renato Anelli é professor titular e coordenador do programa de pós-graduação em arquitetura e urbanismo da USP-São Carlos. É também diretor do núcleo de São Carlos do IAB-SP.

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