Passado quase um século desde a inauguração da
primeira sede do The New York Times, em 1904, foi organizado, em 2000,
um concurso fechado para o projeto de um novo edifício para o jornal
norte-americano. O vencedor foi Renzo Piano, com uma proposta arquitetônica
que tenta interpretar seu tempo - bastante coerente com a sede de
um jornal diário.
Com 52 andares e 228 m de altura, coroado por uma antena de 100 m, a
torre desenhada pelo arquiteto genovês para o prestigioso periódico
nova-iorquino tornou-se o terceiro edifício mais alto da Big Apple.
É claro que essa classificação irá mudar quando
estiver concluída a Freedom Tower, de David Childs (Skidmore, Owings
& Merrill), que terá 541 m de altura.
O The New York Times Building está localizado em Times Square,
no quarteirão entre a 40ª e a 41ª ruas de Manhattan,
com a fachada principal voltada para a 8ª Avenida. Transparente e
permeável à circulação das pessoas, esse edifício
exprime claramente a forte interligação entre o famoso jornal
com a cidade.
Provavelmente é o projeto mais significativo que se conclui na
capital norte-americana desde o 11 de setembro e, sem dúvida, o
primeiro que tentou desafiar a "arquitetura de segurança",
filha dos medos e angústias provocados pelo terrorismo, que prevaleceram
na proposta de Daniel Libeskind para o Ground Zero.
Como resposta ao terrorismo, o projeto de Renzo Piano é bem desafiador.
Segundo o arquiteto, "não existe uma resposta técnica
ao terrorismo. A única seria uma caverna. Os terroristas atacam
e negam a cidade, que é a expressão máxima da civilização.
As pessoas não podem se iludir. A escolha feita aqui no New York
Times Building não foi a de celebrar a potência ou a força,
mas a transparência e a clareza. Em Cidades invisíveis, Calvino
dizia que toda cidade tem um canto que não é o inferno e
é aquilo que temos que descobrir, para dar força mesmo nos
momentos mais difíceis e nas tragédias. 'Uma cidade segura
é uma cidade sem cantos escuros'".
A transparência, portanto, transmite mais confiança do
que a opacidade. No The New York Times Building, essa noção
adquire o sentido tanto de uma precisa linguagem arquitetônica,
como também de uma metáfora sobre a informação
precisa e direta a qual o jornal pretende, idealmente, representar.
A estrutura
A forma do edifício é elementar e simples, repete a geometria
da grelha de Manhattan. É esbelto, com uma estrutura muito leve.
A escolha de determinadas tecnologias e materiais foi feita visando ao
aspecto ecológico. Por isso, não há vidros espelhados
ou opacos que transformam as torres em objetos herméticos e misteriosos.
Muito pelo contrário, a estrutura de aço foi fechada com
vidro formulado com baixo teor de chumbo, o que promove a transparência
do material. A pele de vidro é protegida por barras horizontais
de cerâmica que atuam como um brise-soleil e refletem suavemente
a cor do céu. Essa propriedade torna a fachada "fotossensível",
conforme Piano, ou seja, muda de aspecto a cada momento do dia, variando
com a iluminação e o clima. "O edifício e a
cidade", elabora o arquiteto, "dialogam entre si, um lendo o
outro: uma boa metáfora do conceito de redação de
jornal, uma estrutura que se nutre da cidade".
Por sua leveza e transparência, a construção parece
suspensa do solo e se diferencia dos demais edifícios de Manhattan,
que pesam sobre o solo ocupando o território de modo possessivo
e agressivo. O térreo do NYT Building é aberto e público,
criando transparências múltiplas entre a 40a e a 41a ruas,
interligando-as. No lobby, o jardim tem árvores que alcançam
16 m de altura. Espaços como o Times Center, um auditório
semipúblico, restaurantes e lojas são, de certa forma, uma
resposta ao terrorismo e aos medos por ele gerados. O resultado é
que, mesmo estando dentro do edifício, portanto em um espaço
bem-definido, você tem a sensação de estar na cidade.
A partir da rua é possível perceber tudo o que acontece
dentro do edifício e vice-versa.
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