A cada trabalho que realiza, Arthur Casas revela sua predileção
por materiais naturais e neutros, pelas linhas retas e formas depuradas.
Na loja Sacada, localizada na rua Oscar Freire, em São Paulo, o
arquiteto leva tais conceitos ao extremo para criar um espaço enxuto,
monocromático, que parece ter sido construído com o menor
número possível de elementos. Usa madeiras de tonalidades
similares para compor revestimentos e mobiliário da loja, que traz
como destaque um jardim vertical ao fundo.
Com um sistema de irrigação automática, o jardim
vertical, também conhecido por painel vivo, é composto por
samambaias azuis plantadas em uma superfície de fibra de coco.
"O verde remete aos morros do Rio de Janeiro, cidade de origem da
grife", explica Casas, também responsável pelo projeto
das demais unidades da rede, na capital carioca. "Gosto de projetar
lojas para essa rede, pois posso exercitar o meu lado João Gilberto:
uma oitava abaixo ou uma oitava acima, todas muito parecidas, mas distintas",
afirma o arquiteto em um texto sobre a loja.
Na ambientação minimalista, revestimentos e mobiliário
se combinam para formar uma unidade, em que o todo é privilegiado
sobre as partes. O piso em tauari, madeira genuinamente brasileira, tem
tonalidade similar ao carvalho linheiro aplicado nas paredes, na escada,
no boxe que emoldura as roupas e, inclusive, no forro. Já a pedra
natural limestone na versão Mont Charmot, proveniente do Ceará,
compõe parte do piso, balcão, paredes, o pórtico
de entrada da loja, além de emoldurar o jardim vertical.
O projeto combina materiais naturais e neutros com formas marcadas pela
clareza e simplicidade. Um bom exemplo são as mesas de madeira
envelhecida com pés de aço criadas por Casas, onde estão
expostas roupas da grife.
O projeto luminotécnico, assinado pelo escritório Franco
e Fortes, explora a profundidade da loja por meio de duas sancas longitudinais,
que percorrem o espaço de ponta a ponta. "As sancas combinam
um sistema difuso, formado por lâmpadas fluorescentes de tonalidade
amarelada (temperatura de cor de 3.000 K), com um sistema focado, composto
por halógenas AR 111, agrupadas de três em três",
explica o arquiteto Gilberto Franco. Além disso, os nichos que
abrigam as araras contam com um sistema de iluminação difuso
que cria um efeito de destaque nas peças expostas.
As fachadas frontal e lateral são revestidas com chapas de alumínio
com pintura que imita o aço corten. Feita em lâminas, com
o mesmo material, uma porta de enrolar no sentido vertical permite a abertura
total do vão. Segundo o arquiteto, a ausência da porta quebra
a timidez de quem entra no espaço e deixa as pessoas mais à
vontade. "Não é fácil projetar loja de roupas,
a sensação que se tem é de que tudo já foi
feito para atrair um cliente e divulgar uma marca. Parece bordão,
mas o objetivo do projeto não é só dialogar com o
produto e com os clientes. Surpreender é necessário e esperado",
conclui Casas.
AU LEITURAS
VEJA EM WWW.REVISTAAU.COM.BR
AU 109 Em blocos e patamares. Reportagem sobre residência
em São Paulo de Arthur Casas
AU 131 Linha silenciosa. Reportagem sobre showroom da
Ornare em São Paulo, de Arthur Casas
MINIMUM MAXIMUM
At the Sacada store, in São Paulo, Arthur Casas pushes to the
limit his preference for natural and neutral materials, by the straight
lines and depurated shapes, and creates a precise space which seems
to have been built with the least possible number of elements. He uses
similar colored wood to compose the store's furniture and coatings,
which has a conspicuous vertical garden at the back. The genuinely Brazilian
tauari wood flooring has colors similar to the slender oak's applied
on the walls, at the stairs, on the clothes framing box and, also, on
the ceiling. Meanwhile, the natural limestone in the Mont Charmot version,
originating from Ceará, composes part of the floor, counter,
walls, the store's front door portal, besides framing the vertical garden.
The front and side facades are furnished with
Aluminum sheets painted to imitate corten steel. Made of blades, in
the same material, a vertically rolling door allows the total opening
of the gap. According to the architect, the absence of a door breaks
the timidity of people entering the space and makes them more at ease.