Aumentar
o conforto dos alunos e dos professores ao mesmo tempo em que se diminui
o consumo de energia e de água potável. Essas foram as premissas
de Michael Laar e Jaime Kuck, sócios da Intelarc/Arquilogic Projetos
& Consultorias, na concepção da escola Mínima
Energia, no Rio de Janeiro. Para atender cerca de 1.200 alunos, o programa
inclui um prédio administrativo, salas de aula na ala norte e na
ala sul, um centro de laboratórios, uma biblioteca e um auditório,
em aproximadamente 11 mil m² de área construída.
Laar e Kuck partiram de uma abordagem integrada que envolveu a melhoria
do microclima, a otimização da ventilação,
do sombreamento e da iluminação natural. A redução
da massa térmica do envelope do prédio, a utilização
de isolamento térmico, de iluminação artificial otimizada,
de água da chuva também foram consideradas, assim como a
instalação de telhados verdes, de energia solar e sistema
de monitoramento.
A melhoria do microclima é um dos principais pontos do projeto,
e foi alcançada pela redução da temperatura do ar
por meio da evapotranspiração (processo pelo qual a vegetação
e o solo enviam umidade para a atmosfera, aumentando a umidade do ar)
e de espaços externos sombreados naturalmente, reduzindo consideravelmente
o nível de radiação solar. Para isso, optou-se pela
verticalização do projeto, buscando aproveitar o espaço
e otimizar o terreno com a criação de grandes espaços
verdes, tanto no entorno quanto no centro da obra. "Com uma vegetação
adequada, o terreno, anteriormente usado para o plantio de aipim e hoje
praticamente estéril, voltará próximo ao seu estado
original de mata atlântica", explica Michael Laar. O resultado
é a diminuição do calor liberado e sistemas de sombreamento
naturais. "Cálculos mostram um potencial anual de resfriamento
natural de até 12.350 MWh por meio da evapotranspiração
da água da chuva no próprio terreno", garante. Implantaram-se,
ainda, telhados verdes com poder de isolamento térmico no inverno
e resfriamento por evapotranspiração das plantas no verão,
diminuindo os gastos com energia para aquecimento e resfriamento dos ambientes,
além de ser uma forma natural de isolamento acústico.
As áreas semi-abertas também contam com um sistema de nebulização
e de chafarizes, além de cascatas artificiais para reduzir a temperatura
nas horas mais quentes do dia. Os fluxos da ventilação natural
foram calculados levando em conta a ventilação cruzada e
o distanciamento dos prédios.

Para a diminuição do consumo de energia – um dos
conceitos principais do projeto – foram estipuladas duas metas:
a redução ou eliminação do sistema de ar-condicionado
e a redução do uso de iluminação artificial.
Para atender a primeira meta, investiu-se no melhoramento do microclima
(que reduz a diferença de temperatura entre o espaço externo
e interno), na ventilação natural, nos sistemas de sombreamento
externo (que bloqueiam a incidência solar direita e reduzem a difusa),
na redução da massa térmica do prédio (pois
nos trópicos quente-úmidos, a massa térmica armazena
o calor do dia e não consegue resfriar de forma significativa durante
a noite) e no uso de isolantes térmicos no contorno dos prédios
(para diminuir a transmissão de calor de fora para dentro).
Para reduzir o uso de iluminação artificial, a idéia
foi trabalhar o equilíbrio entre o sombreamento e a iluminação
natural. Para isso, softwares aliados a uma metodologia desenvolvida por
Laar em seu doutorado na Universidade de Bauhaus, na Alemanha (e que está
sendo patenteada no Brasil), detectaram que é possível chegar
a uma autonomia anual de iluminação natural de 86% entre
8 h e 18 h. A mesma tecnologia definiu a geometria da iluminação
no interior do edifício e identificou as melhores luminárias
e lâmpadas para cada espaço físico.
Com a redução
do consumo da energia, abriu-se a possibilidade de cobrir o restante necessário
com energia fotovoltaica. "Cálculos mostram a possibilidade
de produzir a energia necessária para a iluminação
artificial de uma sala de aula de 60 m² com uma placa fotovoltaica
(PV) de 1 m²", explica Laar. A mesma abordagem pode ser aplicada
para garantir a energia necessária de equipamentos diversos, como
computadores e datashow e outros. "Com esse investimento, a escola
torna-se auto-sustentável em relação à energia",
conclui.
Para a redução do consumo de água potável
foi implementado o mesmo conceito utilizado para o consumo de energia:
primeiro a redução por meio de equipamentos eficientes,
como torneiras automáticas e bacias sanitárias com descargas
reduzidas. Em uma segunda etapa, a água potável é
substituída por água da chuva para fins de limpeza, de descarga
e de jardinagem. Como a água de chuva não terá fins
potáveis, a simples filtragem, que separa folhas e outros elementos
orgânicos, é suficiente. Os telhados verdes retêm uma
parte da carga pluvial, e a água da chuva dos telhados convencionais
da vizinhança também será aproveitada. Calcula-se
uma redução no consumo de água potável em
aproximadamente 80% a 90%.
O projeto da escola Mínima Energia foi finalista do Prêmio
Holcim Global 2006 e ganhou o primeiro lugar no prêmio Procel (Programa
de Eficiência Energética em Edificações). O
escritório DDG Arquitetura participou da fase inicial do projeto.