ELEIÇÕES DO IAB-SP PARA BIÊNIO 2008/2009
TÊM POSSE CONTURBADA
O ano mal começa e duas notícias mexem o mundo brasileiro
da arquitetura: o veto ao CAU pelo presidente Luiz Inácio Lula
da Silva e a conturbada posse do arquiteto Joaquim Guedes na presidência
do IAB-SP para o biênio de 2008/2009.
As eleições para o IAB-SP revelam, antes mesmo da discussão
sobre a validade ou não da nova diretoria, a necessidade da discussão
sobre a participação dos arquitetos no Instituto. Afinal,
o número de arquitetos votantes foi de 297, quantidade inexpressiva
se comparada aos cerca de quatro mil arquitetos filiados ao Instituto
(e, destes, estima-se que apenas 360 estejam com as anuidades em dia).
No total, foram 184 votos para a Chapa 2, de Joaquim Guedes, contra 108
para a Chapa 1, encabeçada por Lúcio Gomes Machado, e cinco
nulos.
As eleições foram conturbadas. Liminares e mais liminares
permitiram à Chapa 2 concorrer às eleições
e vencê-las, mas não foi o final da jornada: para entrar
na sede no órgão, no dia 4 de janeiro, foi necessário
arrombar as portas da entidade, por determinação do Poder
Judiciário. Um lado diz que houve artimanha para que a porta estivesse
fechada, outro lado diz que eram apenas férias de fim de ano.
Os primeiros problemas ocorreram nas inscrições das chapas.
A Chapa 2 foi impugnada, pois o Conselho Eleitoral verificou irregularidades,
como falta de procuração e inadimplência. Os integrantes
da chapa recorreram ao Poder Judiciário e obtiveram o direito de
participação. A decisão do Conselho Eleitoral de
não permitir a participação de todos os núcleos
regionais gerou outra liminar a pedido da Chapa 2. Segundo nota da nova
diretoria divulgada no site do IAB-SP, a comissão eleitoral tentou
dificultar a participação da Chapa 2, que tinha muitos integrantes
do interior, pois sabia que nesses núcleos a Chapa 1 seria derrotada.
Segundo Arnaldo Martino, ex-presidente do IAB-SP, a decisão foi
tomada porque, dos 25 núcleos, apenas dois atendiam às condições
estatutárias, tais como lista de sócios e prestação
de contas. A nova liminar concedeu o direito de participação
dos arquitetos dos núcleos ditos irregulares.
Outra acusação feita pela Chapa 2 é a de que não
houve o envio das cédulas eleitorais para o interior, nem mesmo
por via eletrônica. Martino afirma que essas foram disponibilizadas
na página da IAB-SP, na internet, e que houve núcleos que
as utilizaram.
Mas a briga ainda não terminou. De acordo com Guedes, "entendeu-se
que não havíamos ganhado a eleição, pois consideraram
que ferimos o estatuto". O Diretório Nacional determinou que
a posse fosse suspensa até a decisão final, no tribunal,
sobre o direito de participação da Chapa 2.
Entretanto, após a posição do DN, os próprios
tribunais proferiram uma liminar que permitiu a entrada no instituto no
dia 4 de janeiro. "Considero impróprio um juiz decidir dessa
forma em relação ao estatuto de uma associação",
afirma Martino. A oposição à nova presidência
entrou com um pedido de agravo na Justiça para agilizar as decisões.
Mas a batalha judicial pode durar até dois anos. AU está
acompanhando o desenrolar dos fatos, que podem ser vistos no site www.piniweb.com.
A nova diretoria do IAB-SP:
Presidente: Joaquim Manoel Guedes Sobrinho
1º vice-presidente: Rosana Ferrari
2º vice-presidente: Hector Vigliecca
3º vice-presidente: Mário Yoshinaga
Vice-presidente financeiro: André Kaplan
Diretor financeiro: José Renato S. Melhem
Colaborou Rafael Frank, da Piniweb
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