
O atual presidente da UIA, Gaëtan Siew, está organizando o
próximo congresso da entidade, programado para acontecer em Turim,
na Itália (foto acima, à esquerda) para ser "a bienal
das bienais". Siew esteve em São Paulo para participar da
7ª BIA, em novembro (abaixo). A UIA está preparando uma Carta
Internacional de Arquitetura Eqüitativa, que abrange temas como arquitetura
sustentável e respeito à cultura local. "Não
se pode sair por aí construindo Dubais", diz. Acima, à
direita, vista da cidade dos Emirados Árabes em obras
aU HÁ ALGUMA FORMA DE PARTICIPAÇÃO
DAS SEÇÕES NACIONAIS NAS ATIVIDADES DA UIA OU TUDO FICA
CENTRALIZADO EM PARIS?
SIEW Não, muitos dos nossos
projetos são desenvolvidos diretamente nas cinco regiões,
e a cada período determinado, uma das seções fica
encarregada da gestão. A sede da UIA continua sendo em Paris, desde
sua criação, em Lausanne, na Suíça, em 1948.
Mas, no momento, estamos organizando "antenas" internacionais
nos cinco continentes. A finalidade dessas "antenas", ligadas
à sede em Paris, é concentrar em um noticiário, na
língua falada na região, todas as informações
sobre pesquisas, profissão, patrimônio e tudo o que possa
interessar aos arquitetos. Com isso, o arquiteto de qualquer parte do
mundo, seja dos grandes centros urbanos ou de lugares mais remotos, poderá
compartilhar das mesmas informações. O "banco central"
dessas informações estará baseado em Cingapura, cuja
seção se encarregará de coletar e difundir, por meio
eletrônico, as informações recebidas de todo o mundo.
Um exemplo é o das pesquisas sobre acessibilidade, muito adiantadas
em países como Canadá e Austrália, e cujos dados
estarão disponíveis para colegas de todo o mundo. E com
a seção espanhola (CSCAE – Conselho Superior dos Colegas
Arquitetos da Espanha), assinamos um acordo em outubro, durante o encontro
do Conselho em Xian, na China, para implantação e administração
do Programa Internacional de Formação Continuada para arquitetos
de todo o mundo.
aU COMO FUNCIONARÁ ESSE PROGRAMA?
SIEW Será um índice
de informações recenseadas em todo o mundo. Trata-se de
uma extensa plataforma internacional aberta a todas as seções-membros,
a seus órgãos de trabalho e aos fornecedores de informações.
Madri concentrará e organizará todas as informações
provenientes dos mais diversos países e irá deixá-las
disponíveis na internet. Essas informações deverão,
obrigatoriamente, responder aos critérios de qualidade aprovados
pelo Conselho da UIA. O lançamento oficial do programa está
marcado para julho, durante o 23º Congresso da UIA, em Turim, na
Itália.
aU COM RELAÇÃO AO
23º CONGRESSO, COMO ESTÃO OS PREPARATIVOS?
SIEW As inscrições
já estão abertas e o Congresso será realizado entre
29 de junho e três de julho. Transmitir a Arquitetura é o
tema central escolhido para o encontro que, na verdade, está programado
como uma grande festa. A bienal das bienais, espero. Além da presença
das grandes estrelas da arquitetura internacional, convidamos personalidades
fora do circuito arquitetônico. É o caso do escritor italiano
Umberto Eco, do prêmio Nobel de Literatura, o turco Orhan Pamuk,
do prêmio Nobel de Economia, autor do programa de microcrédito
para as populações de baixa renda, o bengalês Muhammad
Yunus, além de outros nomes ainda não confirmados.
aU E NA OCASIÃO, A ASSEMBLÉIA
DA UIA ANUNCIARÁ SEUS PREMIADOS E ESCOLHERÁ O NOVO PRESIDENTE.
JÁ HÁ CANDIDATOS?
SIEW Quanto à escolha do
futuro presidente, já temos até agora dois candidatos, o
italiano Giancarlo Ius e a australiana Louise Cox. Para sediar o próximo
congresso, temos três cidades candidatas: Durban, na África
do Sul, Zagreb, na Croácia, e Cingapura. Este ano, além
da medalha de ouro, que é a maior recompensa que a UIA atribui
aos arquitetos por suas contribuições em favor da humanidade,
da sociedade e da arte, e dos quatro prêmios para profissionais
que se destacaram nas áreas de urbanismo, tecnologia, crítica
ou educação em arquitetura, e melhoria da qualidade dos
estabelecimentos humanos, teremos o lançamento do prêmio
Vassilis Sgoutas 2008. Criado por iniciativa do próprio Sgoutas,
ex-presidente da UIA, a premiação deverá distinguir
arquitetos e também equipes de arquitetos, cujas realizações
contribuíram para a redução da miséria das
comunidades que vivem abaixo do nível de pobreza.
aU APESAR DA AGENDA APERTADA, O
SENHOR FEZ QUESTÃO DE COMPARECER À 7ª BIA, EM SÃO
PAULO. COMO O SENHOR VÊ ESSES GRANDES ENCONTROS DE ARQUITETOS?
SIEW Uma bienal, em minha opinião,
é uma maneira de transmitir arquitetura, de mostrar exemplos do
que está sendo projetado em todo o mundo. Nós adotamos a
política de manter a presença forte da UIA em todas as bienais.
Em todo o mundo, há só uma grande bienal fora da América
Latina, que é a de Veneza. As outras ficam aqui, e a de São
Paulo, maior cidade do continente, é sempre muito importante e
todos querem participar.
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